Brasília - A projeção média do mercado financeiro para a inflação este ano atingiu 5,81%. Esta é a terceira elevação consecutiva das estimativas feitas pelas instituições consultadas pelo Banco Central (BC), que desde a última semana de junho apostam que o governo não conseguirá cumprir a meta de inflação de 2002. Houve também uma elevação na estimativa para a inflação do próximo ano, mas ainda dentro da margem de variação estipulada pelo governo.
A nova estimativa de inflação do mercado para 2002 está 0,31 ponto porcentual acima do teto da meta de variação do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) definido pelo governo, que é de 5,5%. O IPCA é o índice utilizado pelo BC para definir a meta de inflação. Na pesquisa passada, a estimativa do mercado era de uma variação de 5,72% para o índice este ano. Para 2003, a estimativa média do mercado é de uma inflação de 4,20%. A meta projetada pelo governo é de 4%, com margem de variação de 2,5 pontos porcentuais, para cima ou para baixo.
Em relação à atividade econômica, ficou mantida em 2% a estimativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) este ano. Para 2003, entretanto, a expectativa agora é de um crescimento de 3,45% e não mais de 3,50%, como apurado na pesquisa passada.
Pelo lado comercial, houve um pequeno ajuste na projeção do saldo da balança deste ano. O mercado agora estima que a balança fechará o ano com um superávit comercial de US$ 4,50 bilhões. A previsão anterior era de um saldo positivo de US$ 4,47 bilhões. Para 2003, ficou mantida a estimativa de um superávit de US$ 5 bilhões. O Ministério do Desenvolvimento aposta num saldo comercial de US$ 8 bilhões em 2003.
Pelo lado das contas externas, o mercado financeiro reduziu em US$ 150 milhões sua estimativa média para o saldo em transações correntes deste ano. De acordo com a pesquisa feita pelo BC, as instituições consultadas projetam para este ano um déficit em transações correntes de US$ 20,30 bilhões, ante projeção anterior de US$ 20,45 bilhões. Para 2003, entretanto, a estimativa média do mercado é de um déficit em conta corrente de US$ 20,10 bilhões, ou seja, US$ 200 milhões a mais do que a projeção apurada na pesquisa passada, que era de US$ 19,90 bilhões.
Apesar da melhora em relação à estimativa de déficit em conta corrente de 2002, o mercado também reduziu sua estimativa em relação ao fluxo de investimentos estrangeiros diretos para 2002. Agora, o mercado aposta que esses investimentos somarão US$ 17,30 bilhões, e não mais os US$ 17,40 bilhões previstos anteriormente. Esses recursos são utilizados para financiar o déficit nas contas externas. Para 2003, ficou mantida a estimativa de um ingresso de US$ 18 bilhões em investimentos estrangeiros diretos.
Em relação à taxa de câmbio, a estimativa para o fechamento de 2002 sofreu uma pequena elevação. A projeção é de que, ao final do ano, o dólar estará cotado a R$ 2,60, e não mais R$ 2,59. Para 2003, ficou mantida a estimativa anterior, que era de um dólar cotado a R$ 2,69.
Também não houve alterações com relação às projeções para a taxa Selic em 2002 (17% ao ano) e 2003 (15% ao ano). Pelo lado fiscal, também não há novidades nesta pesquisa. O mercado continua apostando que as contas públicas fecharão 2002 com um superávit primário de 3,75% do PIB e de 3,50% do PIB em 2003.

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