Mercado eleva de novo a previsão de inflação
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segunda-feira, 02 de agosto de 2004
Renato Andrade<br> Agência Estado 
Brasília - A preocupação do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central em relação ao comportamento da inflação este ano foi reforçada ontem com mais uma elevação nas projeções de mercado para o IPCA em 2004. A estimativa média de alta para a inflação este ano feita por instituições financeiras e empresas consultadas semanalmente pelo BC subiu de 7,13% para 7,15%.
Essa aposta de um IPCA mais alto reduziu ainda mais as esperanças de cortes significativos na Selic em 2004, reafirmando na prática as sinalizações dadas pelo Copom em sua última reunião.
Há 12 semanas as empresas e bancos consultados pelo BC vêm elevando gradativamente suas projeções para o comportamento do IPCA em 2004. Para o próximo ano, entretanto, a aposta de que a inflação será de 5,5% foi reafirmada pela sexta semana consecutiva. As projeções de curto prazo também ficaram inalteradas. Para agosto, os agentes consultados esperam uma inflação de 0,58%.
Para o mês de julho, a expectativa é de que o IPCA tenha acumulado uma alta de 0,95%. O índice oficial só será conhecido na semana que vem. Para os próximos 12 meses, as apostas também foram mantidas numa elevação de 6,29%.
Esse cenário de inflação em alta persistente, aliado ao posicionamento sinalizado pelo Copom na ata da reunião de julho, reduziu ainda mais as esperanças do mercado de cortes significativos na Selic este ano. Na semana passada, as instituições indicavam que a taxa básica de juros da economia deveria fechar o ano em 15,50% ao ano. Agora, a estimativa é de um patamar de 15,75%, o que embute um corte simbólico de, no máximo, 0,25 ponto porcentual. Ainda assim, esse corte só poderá vir entre setembro e dezembro, já que os analistas continuam acreditando que o Copom manterá em agosto a Selic nos atuais 16% ao ano.
O quadro traçado para as contas externas é bem mais otimista. Para a balança comercial, as projeções indicam um superávit de US$ 29,1 bilhões em 2004 e US$ 25,3 bilhões em 2005. Para as transações correntes do País com o exterior, as empresas e bancos acreditam num superávit de US$ 6,1 bilhões em 2004. Para o próximo ano, o saldo positivo projetado foi elevado em US$ 700 milhões, para US$ 2,7 bilhões. O cenário de investimentos traçado indica um ingresso de US$ 10 bilhões em investimentos estrangeiros diretos em 2004, e outros US$ 12,9 bilhões em 2005.
Há também otimismo em relação ao desempenho da economia. Mais uma vez as instituições financeiras e empresas consultadas semanalmente pelo Banco Central elevaram suas projeções para a taxa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do País este ano. A expectativa dos agentes consultados é de que a economia brasileira crescerá este ano 3,70%, pouco acima dos 3,65% estimados no levantamento passado. Para 2005, a projeção foi mantida em 3,50% de taxa de crescimento econômico.


