Mercado eleva as previsões de inflação Pesquisa do Banco Central trouxe oitava elevação consecutiva do IPCA
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segunda-feira, 25 de abril de 2005
Gustavo Freire<br> Agência Estado 
Brasília A inflação não dá trégua, e a pesquisa semanal de mercado feita pelo Banco Central (BC) divulgada ontem trouxe a oitava elevação consecutiva das previsões do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para este ano. Com a nova alta, as estimativas de variação do IPCA, índice de preços usado pelo BC na condução da política de juros, saltou dos 6,10% do levantamento anterior para 6,15%. A tendência de piora da expectativas inflacionárias persistiu mesmo após a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC ter decidido, por unanimidade, aumentar os juros na semana passada de 19,25% para 19,50% ao ano.
A alta deixou as previsões de inflação ainda mais distanciadas da meta de 5,1% perseguida pelo Copom neste ano. A meta formal, porém, é mais baixa: 4,5%, com margem de tolerância de 2,5 pontos inflação de no máximo 7%. As projeções do mercado estão cada vez mais próximas desse teto. Se este limite vier a ser ultrapassado, o presidente do BC, Henrique Meirelles, será obrigado a encaminhar ao ministro da Fazenda, Antonio Palocci, uma carta pública com as explicações sobre os motivos que provocaram o descumprimento da meta de inflação fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).
As projeções de inflação em 12 meses à frente também pioraram na pesquisa divulgada ontem. Na segunda alta consecutiva, as estimativas de variação dos preços ao consumidor subiram de 5,58% para 5,66% no horizonte mais longo de 12 meses.
A notícia positiva da pesquisa ficou com a manutenção das projeções de inflação para 2006 em 5%. Uma parcela do mercado temia que este porcentual fosse alterado para cima tendo em vista as estimativas variação do IPCA no próximo ano já estarem acima dos 5% no cálculo feito com base na média das expectativas encaminhadas diariamente ao BC.
Na esteira do pessimismo com a inflação, as instituições financeiras participantes da pesquisa do BC puxara para cima suas previsões de taxa de juros para o final do ano.
Mantidas em 17,50% por três semanas consecutivas, as expectativas de juros para o período subiram para 17,75% e terminariam o ano em seu maior patamar desde outubro de 2003.
No próximo ano, os juros teriam espaço, pelos números da pesquisa divulgada ontem, para recuarem mais 2,75 pontos porcentuais e fecharem o governo Lula em 15%. Nesta hipótese, a taxa nominal de juros atingiria seu menor nível desde o lançamento do Plano Real em junho de 1994.


