Mercado duvida que meta de inflação seja cumprida
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segunda-feira, 06 de agosto de 2001
Agência Folha<BR>De Brasília 
O diretor de Política Monetária do Banco Central, Luiz Fernando Figueiredo, disse que o País vai voltar a cumprir o núcleo da meta de inflação no ano que vem, de 3,5%, sem maiores problemas. Tivemos choques de oferta esse ano, mas que não afetam as perspectivas de longo prazo da inflação, afirmou.
Para 2001, ele disse que a inflação está mais para o teto da inflação de 6%, do que para os 4% do núcleo. Nosso último relatório mostrou uma perspectiva de 5,8% para a inflação neste ano, em razão do choque de oferta.
Ele acrescentou que o regime de câmbio flutuante tem ajudado muito a política monetária no que diz respeito ao controle da inflação. O câmbio acomoda os choques que estamos tendo. É um instrumento muito poderoso para isso, disse.
Figueiredo fez questão de dizer que o foco do Banco Central é a inflação. Segundo ele, a atuação do BC de irrigar o mercado de câmbio com dólares diariamente é uma maneira de mostrar que o câmbio continua flutuante e também diminuir o déficit em conta corrente.
Mas o mercado financeiro está duvidando, cada vez mais, do cumprimento da meta de inflação estipulada pelo governo. Segundo pesquisa realizada semanalmente pelo Banco Central, os bancos esperam uma elevação de 6,2% no IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) neste ano. Há uma semana, o mesmo levantamento apontava uma inflação de 6,08%. O mercado também reviu para cima a previsão de inflação para o ano que vem, que passou de 4,02% para 4,25%.
Se considerados apenas os analistas que mais acertam, as previsões de inflação deste ano e do próximo subiram para 6,30% e 4,50%, respectivamente. A meta de inflação para 2001 é de 4%, com margem de erro de dois pontos para cima ou para baixo. Para 2002, a meta foi fixada em 3,5% com o mesmo intervalo.
Caso a inflação deste ano fique acima de 6%, o BC deve explicar ao ministro da Fazenda os motivos do descumprimento, e o governo brasileiro precisa consultar o FMI sobre medidas a serem adotadas para conter a alta dos preços, conforme previsto no acordo com a instituição.


