Consumidores com necessidades especiais representam uma parcela considerável da população brasileira, levando-se em conta que cerca de 9 milhões (IBGE), entre homens e mulheres, trabalham e necessitam de serviços diferenciados. O Paraná conta com 13,5% de 27 milhões de brasileiros com alguma deficiência física, motora, visual ou mental. Segundo o IBGE, quase 80% das pessoas deficientes no Brasil adquiriram tais limitações na fase adulta.
Este mercado, ainda pouco explorado, chegou a chamar à atenção de uma grande fábrica de eletrodoméstico na América Latina, que há dois anos já oferece um kit de equipamentos compatíveis para usuários em situação especial.
Sob o amparo da Lei, toda pessoa deficiente tem direito a inseções de ICMS, IPVA, IPI, IOF na compra de um carro. Faltando quatro meses para terminar o ano, dados da Receita Federal de Londrina apontam que já em agosto deste ano, 140 portadores de necessidades especiais conquistaram isenção para compra de veículos, o mesmo número verificado em todo o ano passado.
Somam-se a este público idosos, que também têm necessidades especiais. A falta de respeito no atendimento, por exemplo, continua a ser o ponto principal nesta economia subterrânea, que movimenta alguns milhões de reais. ''Somos consumidores como qualquer pessoa comum'', declara Paulo Lima, presidente da Associação dos Deficientes Físicos de Londrina (Adefil). Segundo ele, os acessos em lojas, bancos, bem como estacionamentos especiais são o ''grande entrave'' para um público interessado em consumir serviços e produtos. Lima enfatiza que o esforço físico de uma pessoa em situação especial é maior do que uma pessoa comum.
Destas barreiras, a de locomoção tem tido grande procura por parte de usuários interessados em indepedência, praticidade e rapidez. ''Adequar carros para pessoas portadoras de deficiência física representa hoje 10% do faturamento de minha oficina'', afirma Fabio Aurélio Masano Melaré, sócio-proprietário de uma oficina em Londrina, que ajusta carros para portadores de necessidades especiais, além de prestar serviços para veículos comuns. Ele conta que a maior parte dos equipamentos são importados, havendo também similares nacionais. A adequação destes veículos saí em média R$3,5 mil.
O aposentado em mecânica de máquinas, Valdecir Donisete Martins, é um dos interessados na adaptação do veículo que acaba de comprar. Ele tem distrofia nos braços e pernas devido a um acidente de automóvel, em 1991. Desde então, o ex-mecânico conta que passou a depender das pessoas, inclusive do filho que é seu motorista particular. Com a adequação do carro, comprado com as isenções a que tem direito na condição de pessoa com deficiência, Lima comemora sua independência. Ele, porém, não deixa de criticar a falta de respeito do comércio em geral. ''Até em mercados é comum a vaga de deficiente ser ocupada por pessoas sem qualquer necessidade especial'', protesta.
O delegado da Receita Estadual da região de Londrina, Newton Modesto D'Avila, ressalva que as inseções são concedidas diretamente ao portador, mediante comprovação médica. A compra do veículo não pode exceder a R$60 mil no seu valor e a isenção ocorre mediante declaração da concessionária de que irá abater o desconto do ICMS de 18% sobre o valor do veículo. O futuro proprietário do carro ainda tem que apresentar à Receita laudo médico, comprovação financeira e de endereço. O delegado acrescenta que a isenção só é concedida desde que o motorista não tenha adquirido veículo com benefício nos últimos três anos.

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