Mercado doméstico deve garantir crescimento, preveem analistas
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segunda-feira, 05 de janeiro de 2009
Márcia De Chiara<br> Agência Estado 
São Paulo - O mercado doméstico vai atenuar a desaceleração da economia prevista para este ano. Reajuste do salário mínimo na casa 12%, inflação em trajetória descendente e políticas do governo para estimular compras, como o corte nos impostos de veículos, vão sustentar o ritmo de atividade do mercado interno, ainda que o fantasma do desemprego volte a assombrar os brasileiros.
A taxa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) que ficou em 5,8% em 2008 deve recuar para algo em torno de 2,5% em 2009, segundo projeções do mercado. E a grande contribuição para evitar um resultado pior virá do mercado doméstico, sustentado pelo consumo das famílias e do governo.
As indústrias já contam com a força de demanda interna para vender seus produtos nos próximos meses, conforme pesquisa da Fundação Getúlio Vargas (FGV). De acordo com a sondagem, a confiança nos negócios para os próximos seis meses entre empresários de indústrias que fabricam produtos para o mercado doméstico reduziu-se de forma moderada em novembro.
Entre os empresários de companhias focadas na exportação, a confiança despencou de forma bem mais acentuada. Segundo a pesquisa, 31% das 137 indústrias voltadas para o mercado interno trabalhavam, em novembro, com cenário melhor para os negócios até maio deste ano. Enquanto isso, só 3% das 68 empresas exportadoras estavam otimistas para os negócios em seis meses. No total das 1.112 indústrias pesquisadas, 22% demonstraram otimismo com o semestre.
Entre os segmentos voltados para o mercado doméstico que estão mais otimistas encontram-se os fabricantes de cimento, embalagens metálicas, papel e artefatos para uso pessoal, produtos farmacêuticos e confecção. Há mais indústrias especializadas em mercado doméstico acreditando que a situação será melhor em seis meses do que companhias exportadoras, apesar da desvalorização cambial, que teoricamente seria um estímulo às vendas externas, observa o coordenador da pesquisa , Aloisio Campelo.
O economista aponta outro indicador, o uso da capacidade de produção das fábricas, para reforçar a tese de que o mercado interno será o fiel da balança em 2009. De acordo com a sondagem, o segmento da indústria que vende pouco para o exterior usava 83,4% da capacidade disponível das fábricas em novembro, uma taxa de ocupação semelhante à média em meses de novembro de três anos atrás. Já o grupo de indústrias francamente exportadoras ocupava 83% da sua capacidade em novembro, um nível bem inferior à média de 88,2% para esse grupo de empresas nos últimos três anos.
O mercado doméstico vai sustentar o crescimento da economia no ano que vem, só que em menores proporções em relação aos últimos anos, afirma o sócio-diretor da RC Consultores, Fabio Silveira. Em 2008, o desempenho do mercado externo foi bom e do interno também. Para 2009, o mercado externo será fraco, em razão da crise mundial, e o interno ganha relevância, apesar de enfraquecido pela redução no nível de emprego, da oferta de crédito e do ritmo de consumo das famílias, explica.
Na análise do sócio-diretor da LCA Consultores, Fernando Sampaio, o mercado doméstico terá desempenho melhor que o externo em 2009. Dentre os segmentos voltados para o mercado interno, o produtos não duráveis (alimentos e artigos de higiene e limpeza) vão sofrer menos com a desaceleração porque têm uma demanda mais estável.
Sampaio aponta alguns fatores para fundamentar a previsão. A inflação, prevista para em torno de 5% em 2009, não dá sinais que irá corroer o poder de compra, como ocorreu recentemente. O salário mínimo, base de rendimento de cerca de um terço dos brasileiros ocupados, terá bom ganho. Pela nova regra, a correção leva em conta a inflação do ano anterior, acrescida da expansão do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos atrás. Nas nossas contas, o reajuste do mínimo deve ser de 12%, diz o economista da LCA.
Isso significa que, dos atuais R$ 415, o mínimo vai a quase R$ 465. O acréscimo de cerca de R$ 50 muito provavelmente será gasto com alimentação, diz o economista, especialmente com proteínas animais, como carnes bovinas e de aves. É que as camadas de menor poder aquisitivo consomem mais alimentos proporcionalmente à renda do que as classes mais ricas. O sócio-diretor da MB Associados, José Roberto Mendonça de Barros, destaca que a redução dos preços dos alimentos, que vem ocorrendo desde fins de novembro, e o reajuste do salário mínimo, devem contribuir para estimular o consumo especialmente entre a população de menor renda.


