Mercado do trigo preocupa cooperativas
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segunda-feira, 30 de outubro de 2000
Vânia Casado De Curitiba 
O ritmo lento da comercialização de trigo já está preocupando as cooperativas. Se os moinhos não voltarem ao mercado dentro de 15 dias, produtores e cooperativas vão solicitar ao governo federal mecanismos de apoio à comercialização como o PEP - Prêmio de Escoamento do Produto - informou Nelson Costa, assessor econômico da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar).
Até agora só foi vendido 30% da produção do Estado, informou Otmar Hubner, engenheiro agrônomo do Departamento de Economia Rural da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Deral). No ano passado, nessa época já haviam sido comercializados 58% da safra (400 mil toneladas).
Atualmente, como a quebra de safra ficou acima de 60%, a produção comercializada corresponde a 170 mil t, ou seja 50% do volume vendido no ano passado.
Costa prevê que a lentidão na comercialização do trigo pode trazer sérios problemas ao produtor, que precisa de recursos para pagar os financiamentos bancários que vencem a partir de novembro.
De um lado, a falta de fluidez na comercialização, de outro o mercado está morno. Para agravar a situação, as contas começam a vencer, resume Costa.
Os moageiros recuaram no mercado nacional porque estão abastecidos com o trigo internacional. Além disso, preferem optar pelo produto importado porque ganham prazo de três meses a um ano para pagamento, enquanto no mercado interno precisam pagar à vista. Enquanto isso, os preços do trigo nas principais praças de produção do Paraná continuam se sustentando acima do preço mínimo.
Conforme levantamento da Ocepar, no atacado o trigo está cotado a R$ 14,00 a saca em Campo Mourão, R$ 14,10 em Londrina, R$ 14,50 em Maringá e R$ 13,50 em Toledo. De acordo com o Deral, o produtor está recebendo em média R$ 13,80 a saca.
O corretor Antonio Carlos Lacerda, de Ponta Grossa, acredita que os moinhos vão voltar a comprar em pouco tempo porque precisam de trigo de qualidade. E o trigo que está sendo colhido na região dos Campos Gerais apresenta qualidade satisfatória, afirma. De acordo com o corretor, os moinhos estão avaliando o volume da produção gaúcha que está entrando no mercado e deverão concluir que a qualidade o trigo colhido no Rio Grande do Sul está inferior ao trigo paranaense.
Falta colher cerca de 15% da safra no Paraná e a produtividade registrada até agora revela um índice inferior à média dos últimos cinco anos. O rendimento da atual safra é de 1.390 quilos por hectare, enquanto no ano passado o rendimento ficou em 2.034 quilos por hectare. Tradicionalmente, a safra paranaense é de 1.854 quilos por hectare, informou o Deral.
A produtividade mais baixa foi registrada na região Norte, que apresentou um rendimento de 1.165 quilos por hectare. Na região as geadas prejudicaram 45% da produção estimada. Com o final da safra, o Deral acredita que a produção esse ano deve encerrar em 570 mil toneladas, uma das mais baixas desde 1975 quando foram colhidas 444.000 t, quando também foram prejudicadas pelas geadas daquele ano.


