O mercado do trigo está parado, no Paraná, a espera de definição sobre as políticas públicas para comercialização do produto. As cooperativas, que detêm 80% do cereal produzido no Estado, suspenderam as vendas para evitar que o excesso de oferta derrube o preço. Ontem, segundo fontes do mercado, o trigo foi comercializado por R$ 390,00 a tonelada por alguns cerealistas da região Norte. No início da safra, a tonelada valia quase R$ 500,00.
Robson Mafioletti, assessor técnico e econômico do Sindicato e Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), informou que o setor espera com ansiedade a decisão do Conselho Monetário Nacional (CMN), que se reúne hoje para decidir, entre outras pautas, a disponibilização de recursos para a Linha Especial de Crédito (LEC) para o trigo. Segundo ele, esse mecanismo oferece recursos para estocagem do produto com adiantamento do pagamento, pelas cooperativas, ao produtor do cereal. O trigo fica estocado para ser comercializado em época mais favorável.
Nesta semana, o governo já liberou R$ 100 milhões para o Empréstimo do Governo Federal (EGF), que também se destina a financiar a estocagem. ''Já ajudou bastante'', considerou Mafioletti. As cooperativas também esperam o anúncio dos contratos de opção para o trigo, com garantia de preço mínimo.
O setor reivindica que o valor ofertado pelo governo atenda à paridade com o produto argentino, o que resultaria em preços entre R$ 460,00 e R$ 470,00. Outra alternativa para amenizar o problema é a exportação do trigo. As empresas já mandaram amostras para análise de possíveis compradores e aguardam a resposta.
A Associação das Indústrias Moageiras de Trigo (Abitrigo) informou que os moinhos paranaenses já compraram 800 mil toneladas de trigo da nova safra. ''As empresas negociam dentro de suas capacidades de compra e crédito. O trigo é colhido em dois meses, mas a comercialização é feita durante todo o ano'', disse Roland Guth, presidente da entidade.
Antes do início do plantio, a Abitrigo se reuniu com os outros elos da cadeia para estimular o aumento de área no Estado. ''Continuamos fazendo campanha para os moinhos comprarem o trigo nacional'', afirmou.
Mais de 80% das lavouras de trigo paranaenses já estão colhidas, mas apenas 30% da safra foi comercializada. O rendimento médio conseguido pelo Estado é estimado em 2,4 toneladas por hectare, o que indica recorde, com superação dos 2,09 toneladas por ha obtidos em 2001. As informações são do engenheiro agrônomo Otmar Hubner, do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (Seab).
A estimativa de produção estadual, que era de 2,7 milhões de toneladas em setembro, foi revista para 2,88 milhões. Será o melhor resultado do Paraná após 1989, quando foram colhidas 3,21 milhões de toneladas.
O agronômo afirmou que a boa performance da cultura, em quantidade e em qualidade, deveria resultar em estímulo para a retomada do desenvolvimento da triticultura estadual. ''Contudo, o mercado não está satisfazendo às expectativas dos produtores, que já falam em redução de área para a próxima safra.''

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