Mercado do milho atento ao câmbio
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terça-feira, 23 de maio de 2000
Fabíola Salvador Agência Estado 
Compradores e vendedores locais de milho estarão, principalmente no segundo semestre do ano, de olho na produção da safrinha, mas também estarão atentos ao comportamento do câmbio e à evolução da safra dos Estados Unidos. Alguns analistas chegam a dizer que o dólar e a safra americana serão mais importantes para o mercado interno que a safrinha de milho. O argumento é que, se o câmbio continuar fortalecido, ou seja, o dólar ficar acima de R$ 1,70, a importação de milho da Argentina ou do Paraguai ficará muito cara.
Em relação à safra americana, o temor é que uma possível estiagem prejudique as lavouras dos Estados Unidos. Se a safra americana quebrar, a Argentina deixaria de vender para o Brasil para negociar com outros compradores.
Para Silvio Farnesi, gerente de programa da secretaria de política agrícola do Ministério da Agricultura, o ponto principal do mercado nos próximos meses será a safra dos Estados Unidos. Em relação ao dólar, os analistas do governo indicam que a cotação máxima deve ficar entre R$ 1,80 e R$ 1,90. Não deve haver uma crise semelhante a do ano passado, quando o câmbio chegou a R$ 2,00, afirmou.
Praticamente toda a safra dos EUA foi plantada e a média está acima do ano passado. Mesmo se houver uma pequena quebra na safra, não deve haver grande problema para o mercado afirmou ele, citando números do USDA divulgados ontem, que indicavam que 96% das lavouras já foram plantadas, ante 84% da mesma semana do ano passado. Com a produção maior no ano-safra, os EUA continuarão vendendo para seus mercados tradicionais e a Argentina terá grãos para vender ao Brasil, afirmou Farnesi. No dia 12, o USDA informou que a produção de milho na safra 2000/2001 deve somar 9,74 milhões de bushels, alta de 3,17% em relação ao período anterior.
O USDA estima que a Argentina vá produzir 15,50 milhões de toneladas na safra 99/2000. Na safra 2000/2001, a Argentina deve produzir 16,50 milhões de toneladas de milho e exportar 9,50 milhões de t. Com o dólar estável e a disponibilidade de grãos da Argentina, os preços do milho devem ter fortes altas. Esses dois fatores vão balizar os preços internos, afirmou Romeu Ursolin, diretor comercial da Cooperativa Regional Tritícola Serrana (Cotrijuí), no Rio Grande do Sul. Para ele, os compradores do RS estão preocupados com a safrinha, mas o mercado está muito mais interessado na questão cambial.
Os cálculos são que com o dólar a R$ 1,90, o milho chegaria ao mercado interno a R$ 16,00/saca.
Para Flávio Turra, da Ocepar, as fontes alternativas de abastecimento são importantes, mas o mercado não pode ignorar a importância da safrinha de milho.
Em abril, a Conab estimou a safra 99/2000 de milho do Brasil em 33,793 milhões de toneladas, sendo 6,644 milhões de toneladas na safrinha. Com o consumo previsto de 36 milhões de toneladas no ano, é impossível ignorar a produção da safrinha, afirmou. Turra acredita que a produção na safrinha vai ficar abaixo do previsto por causa da seca que atingiu as regiões produtoras do norte e noroeste do Paraná e de São Paulo. Com a quebra na safrinha, o mercado vai ficar firme no segundo semestre e os preços internos devem subir, completou.


