O preço do feijão, tanto para o preto como para o de cores, se manterá em alta, com pequenas oscilações, nos próximos 45 dias. Os estoques são baixos, o governo não tem como interferir e não há produção no campo. É possível que ocorram novas altas em setembro (feijão preto em Ponta Grossa, ontem, chegou a R$ 90,00/saca no atacado, contra R$ 50,00 em maio; o carioquinha chegu a R$ 80,00, em Cornélio Procópio, contra R$ 60,00 em maio).

No entanto, o cenário começa a mudar a partir de novembro, segundo o engenheiro agrônomo, Wlamir Brandalizze, consultor na área de commodities agrícolas. Os preços ficarão estáveis por algumas semanas para começar a cair em dezembro, um mês adverso para as vendas de feijão e outros alimentos básicos.

Além da queda tradicional do consumo, dezembro é o mês que os supermercados não fazem reposição de estoques, induzindo o deslocamento do consumo para outros alimentos, principalmente massas. ''Supermercado não quer vender feijão em dezembro, prefere vender champanhe, pela proximidade das festas da virada do ano'', explica Brandalizze.

Quem quiser vender bem o feijão terá de fazê-lo até final de novembro. Para isso terá de plantar na primeira oportunidade. Ou escalonar o plantio para entrar no mercado após 20 de janeiro.

Brandalizze acha que os preços altos como atualmente, não interessam ao produtor. Além de reduzir o consumo, o preço alto estimula aumento do plantio e oferta, derrubando os preços logo em seguida.

O consultor anunciou duas novidades que vão exercer influência sobre os preços de feijão, uma positiva outra negativa. A positiva é que as grandes redes de supermercados estão abrindo lojas destinadas ao consumidor de renda mais modestas, com maior espaço para os produtos básicos.

A inovação que não interessa aos produtores ocorre nas indústrias empacotadoras com a criação de embalagens de meio quilo. Na opinião do consultor os pequenos pacotes ''condicionam o consumidor às quantidades menores, sendo provável que no lugar de comprar três pacotes de um quilo cada ele compre três de meio quilo''. Esta situação se agrava quando o supermercado resolve pôr a sua marca no produto. Ninguém lança uma mercadoria com o seu nome para vendê-la mais cara. Só que para vender barato o supermercado vai ter que aviltar o preço pago ao fornecedor.




- Para a safra 2002/2003 a estimativa é de uma colheita de cerca de 300 milhões de toneladas de cana.

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