Mercado do café não reage tão cedo, prevê comerciante
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terça-feira, 16 de outubro de 2001
Ana Paula Nascimento<br> De Londrina 
Quem tem cafés remanescentes, da safra 2000/01, deve vender o produto e ''parar de ter esperança de que haja reação de preços no curto prazo''. A sugestão é do membro da Câmara Setorial do Café no Paraná, Devanil Vicente Ferreira. Ele também afirmou, ontem, que a tendência dos produtores em segurar o café, na expectativa de preços melhores, não procede.
''Há uma grande oferta de café remanescente, entre 600 mil e 700 mil sacas. Mas o importador está dando preferência para a safra atual, o que dificulta ainda mais a possibilidade de vendas externas daquele café'', disse Ferreira.
O comerciante avaliou que a crise no setor cafeeiro deva se estender por mais dois anos e que um dos principais fatores que contribuiram para esta situação atual é a falta de zoneamento no plantio de café. ''Nos últimos anos, tivemos um plantio desordenado de café, e os estados do Pernambuco e do Pará, como nunca havíamos imaginado, passaram a produzir café'', afirmou.
Outro aspecto negativo, apontado por Ferreira, é o aumento da dosagem de café robusta na mistura do café, o que prejudica a qualidade final da bebida e diminui o consumo, devido ao excesso de cafeína. ''As pessoas não percebem , mas o aumento da cafeína é um fator inibidor e dessa maneira, quem tomava cinco xícaras de café, passa a tomar duas'', disse Ferreira. Ele também informou que a medida ideal é de no máximo 20% de robusta no café arábica, mas que tal recomendação, na prática, é realizada pela minoria das indústrias torrefadoras.
Mais cautela Para o presidente da Associação Paranaense de Cafeicultores (Apac), Ricardo Strenger, o momento atual do café é ''caótico'', mas ele considera inadequado se posicionar quanto à venda ou não de cafés remanescentes. ''O mercado não tem uma lógica muito definida, e de repente o panorama nacional e mundial de comercialização de café pode mudar. Para a Apac é melhor continuar em cima do muro e não se posicionar'', disse Strenger.
''Cada uma sabe a situação que se encontra, e se o produtor tem dívidas a pagar, é claro que ele irá preferir vender o seu produto'', argumentou.
Quanto à adição exagerada de café robusta, Strenger disse que já está em tramitação no Congresso um projeto de lei que estabelece a rotulagem das embalgens, indicando a quantidade de café robusta e arábica, e que em novembro deverá haver uma audiência pública sobre o assunto. ''O mais importante é conquistarmos o apoio do consumidor para que ele contribua na fiscalização dos cafés'', disse.
Atualmente, o consumo formal de café no Brasil é avaliado em 12 milhões de sacas. No âmbito mundial, a produção prevista é de 115 milhões de sacas, sendo 71 milhões de sacas de café arábica, e 44 milhões de café robusta, com consumo mundial estimado em 105 milhões de sacas.


