Mercado dita novo perfil à elite
RELAÇÕES INTERNACIONAIS Mercado dita novo perfil à elite Astrid Wendlandt Do Financial Times Mercados e negócios estão tomando o lugar das questões de defesa, segurança e ideologia. Um aspecto que confirma a tendência é o caráter das grandes escolas de relações internacionais, que foram criadas para formar lideranças mundiais. À primeira vista, as escolas de relações internacionais de elite nos Estados Unidos parecem estar passando por uma crise de identidade. Elas oferecem cursos de finanças e diplomas em estudos bancários. Seus alunos concorrem diretamente com o pessoal que faz MBAs no mercado de trabalho, mas elas se recusam a se denominar escolas de administração. As escolas de relações internacionais no nível de graduação dizem que sua tarefa de formar os líderes mundiais é a mesma que tinham 50 anos atrás, quando foram estabelecidas inicialmente. O que mudou foi a natureza das relações internacionais. Embora continuem a oferecer cursos de diplomacia pública e leis internacionais, as escolas de graduação em relações internacionais estão começando a enfatizar mais a economia e os negócios. Elas acreditam que o centro de gravidade nas relações internacionais se transferiu da defesa e segurança para questões mais orientadas ao mercado. Agora, existe uma preocupação maior com a capitalização de mercado do que com o tamanho de seu exército, diz Laurent Jacque, diretor do programa de estudos de negócios internacionais na Escola Fletcher de Direito e Diplomacia, na Universidade Tufts, em Boston. O que conta não é o número de mísseis, mas quantos bilhões de dólares se obteve de privatizações, diz. Nova agenda Isso não quer dizer que as questões de negócios tenham suplantado as preocupações geopolíticas. Mas, segundo o governo dos Estados Unidos, desde o fim da Guerra Fria, as negociações comerciais, o investimento estrangeiro direto e a integração de mercados vieram a dominar a agenda. As escolas de relações internacionais começaram a oferecer mais cursos de finanças e economia porque as organizações privadas e as agências do setor público se tornaram mais integradas, por meio de parcerias. As pessoas do setor público compreenderam que precisam ser capazes de avaliar a saúde financeira dos negócios que regulamentam, diz Jim Donahue, professor de política pública na Escola John Kennedy de Administração Pública, da Universidade de Harvard. Em 98, cerca de 42% dos estudantes de relações internacionais que começaram a trabalhar para o setor privado escolheram o setor financeiro, enquanto 37% deles foram trabalhar para empresas de consultorias.





