O mercado de smartphones registrou queda nas vendas pelo segundo trimestre consecutivo este ano, informou a consultoria IDC essa semana. Foram 10.753 milhões de aparelhos comercializados entre julho a setembro de 2015, 25,5% a menos que no mesmo período do ano passado. Segundo a consultoria, o número de smartphones vendidos não ficava abaixo do patamar dos 11 milhões desde o terceiro trimestre de 2013.
Se somados os feature phones, aparelhos com funções mais básicas, o mercado de celulares apresentou queda ainda mais acentuada, de 35%. Segundo Leonardo Munin, analista de pesquisas da IDC Brasil, devido à alta do dólar e à desaceleração da economia, 2015 foi um ano atípico e teve uma inversão nas vendas: enquanto nos outros anos o primeiro trimestre costumava ser o mais fraco, neste, o primeiro trimestre provavelmente terá o melhor desempenho.
Nem a Black Friday e nem o Natal deverão recuperar as vendas do ano. Munin disse que esta foi a primeira Black Friday em que houve fabricantes de smartphones que não aderiram às promoções da data.
O analista explica que os smartphones sofrem influência muito grande do dólar por causa da importação de insumos. Por isso, tanto o preço final quanto o volume de produção acabam comprometidos. Só este ano, as fabricantes repassaram pelo menos duas vezes o aumento do dólar no preço dos aparelhos. "Pelo menos 80% dos insumos utilizados na fabricação de smartphones são importados."

Ciclo de vida


Para a consultoria, o ciclo de vida maior dos smartphones também é responsável pela queda nas vendas. Se antes o usuário levava cerca de um ano a seis meses para trocar o aparelho, hoje, pode-se dizer que a compra é postergada porque os dispositivos passaram a contar com melhoria nas suas especificações técnicas. No terceiro trimestre deste ano, a receita das fabricantes de aparelhos móveis teve crescimento de 1,7%.
A expectativa da IDC para 2015 é que o mercado de smartphones termine em queda de 12,8%, e o mercado total (smartphones + feature phones) com decréscimo de 26,8%. Para 2016, a estimativa é de diminuição de 8% nas vendas devido às perspectivas de aumento para o dólar. A redução na importação de telas é outro indicativo de que a produção de aparelhos deverá diminuir, afirma o analista da IDC. "A base da cadeia de suprimentos já indica que a indústria vai trabalhar com um volume menor." O fim da MP do Bem, acrescenta Munin, também deverá prejudicar ainda mais o desempenho do mercado.

mockup