Quem nunca topou com uma situação dessas: ao fazer uma simples pesquisa na internet para tirar alguma dúvida, digitou o termo e encontrou mais de mil opções de links diferentes mas – até onde a paciência permitiu – nenhuma delas sanou a dúvida? Esta é uma dificuldade encontrada por muitas pessoas, uma vez que as possibilidades de informações disponíveis na web é infinita.
‘‘Hoje temos um grande universo de sites, hotsites, blogs, microblogs, redes de relacionamentos, fóruns, ou seja, uma hiperexposição de dados, muitos de excelente qualidade outros com baixíssimo teor qualitativo’’, reforça o consultor de Segurança da Informação, Wagner de Paula Rodrigues, professor de Tecnologia da Informação da Unopar.
Segundo ele, neste mês a rede mundial de computadores já contabilizou 206.675.938 domínios publicados. Nesse mesmo período, o Brasil chegou à marca de 2 milhões de domínios registrados (.br). Portanto, o grande desafio de sobreviver na internet é saber selecionar as informações.
Mecanismos dos próprios sites de buscas podem ajudar o internauta a encontrar a informação que deseja de forma mais rápida e objetiva. ‘‘Se o usuário pesquisa de forma não planejada, acaba perdendo muito em tempo e produtividade’’, observa Rodrigues. Esse mecanismo pode ser encontrado nas próprias páginas de pesquisa de forma simplificada, na ‘‘busca avançada’’, onde o internauta pode especificar qual resultado deseja obter em uma pesquisa.
No entanto, nem sempre a busca avançada proporciona todas as opções para uma pesquisa refinada. O mesmo tipo de mecanismo pode ser utilizado pelo internauta através de comandos que, digitados junto ao termo de pesquisa, resultam em uma busca mais específica (veja quadro). Alguns desses comandos já são conhecidos, como a aspas para indicar que se deseja pesquisar aquela frase exata, ou o sinal de menos para excluir um grupo de resultados indesejados.
Filtrada a informação que o internauta deseja, a questão é como saber se a informação ali disponível é de qualidade ou não. ‘‘Hoje, o que mais têm são blogs e microblogs com informações sem referências’’, observa o consultor.
Referência é o que ele cita como a principal pista para descobrir se uma informação tem credibilidade. ‘‘E tentar medir o grau de qualidade dessa referência. Procurar por autores idôneos, com histórico de divulgação de material, e não quem está publicando pela primeira vez.’’ Para pesquisas escolares, por exemplo, como se trata do meio acadêmico, informações sem referência são inaceitáveis.
O professor Donizetti Brandino utiliza as ferramentas de busca pela internet para pesquisar conteúdo para suas aulas e confirma ter dificuldade em encontrar informações confiáveis. ‘‘A minha área de trabalho – o ensino de História – é muito específica. E tem muitos sites que não oferecem informações corretas. Como todo mundo pode escrever de tudo na internet, tem que verificar sempre.
Determinação
Para a psicóloga Damares Andrade, não é difícil encontrar conteúdo na internet. Basta um pouco de determinação. Desde pesquisa para a monografia, cotações de preços, até roteiro de viagens, tudo ela faz pelos mecanismos de busca da internet e diz ter sucesso com isso. ‘‘Acabo de chegar de Paris e fizemos todo o caminho percorrido por um site de pesquisa’’, comenta.
Isso não quer dizer, no entanto, que Damares teve sorte e encontrou tudo o que queria no primeiro clique. Ela afirma que é preciso ter em mente o que se deseja pesquisar, e ir atrás da informação correta. ‘‘Outro dia mesmo estava pesquisando na internet e apareceu muita coisa desnecessária. Acho que você tem que se dispor para ver se o que codificou é realmente o que apareceu.’’




Ro­tei­ro de pes­qui­sa po­de au­xi­liar na bus­ca


A in­ter­net atual­men­te é um dos prin­ci­pais ins­tru­men­tos de pes­qui­sa e is­so não po­de­ria ser di­fe­ren­te no ­meio aca­dê­mi­co. ‘‘Ape­sar de ter mui­tos li­vros em ca­sa, a in­ter­net é um ins­tru­men­to da mo­der­ni­da­de e, em ter­mos de co­nhe­ci­men­to, te­mos que ­usar tu­do o que es­tá à ­disposição’’, opi­na Do­ni­zet­ti Bran­di­no, pro­fes­sor e pai de Fer­nan­da, 12 ­anos, que uti­li­za a web pa­ra fa­zer ­suas pes­qui­sas es­co­la­res.
Si­tua­ção pa­re­ci­da ocor­re na ca­sa da psi­có­lo­ga Da­ma­res An­dra­de, mãe de Leo­nar­do, 13 ­anos, e Ga­brie­la, 11. In­fluen­cia­dos pe­la ro­ti­na da mãe, que en­con­tra nos si­tes de bus­ca um gran­de alia­do, ­eles es­tão fa­zen­do dos li­vros na pra­te­lei­ra qua­se ob­so­le­tos. No geral, os alu­nos afir­mam que as pes­qui­sas es­co­la­res são mui­to ­mais fá­ceis com o uso da in­ter­net.
No en­tan­to, pa­ra os pro­fes­so­res as pes­qui­sas não são tão sim­ples. ‘‘Os jo­vens são mui­to agi­ta­dos. ­Eles não têm pa­ciên­cia de bus­car ­duas, ­três fon­tes de pes­qui­sa, ana­li­sar o con­teú­do e fa­zer o ­trabalho’’, ob­ser­va o pro­fes­sor Jo­sé Ju­nior Ven­dra­me, coor­de­na­dor de In­for­má­ti­ca do Co­lé­gio Lon­dri­nen­se.
Fa­zer pes­qui­sa na in­ter­net agi­li­za o pro­ces­so, mas não sig­ni­fi­ca que se po­de con­fiar no pri­mei­ro si­te que apa­re­ce no me­ca­nis­mo de bus­ca. O fa­mo­so ‘‘co­piar e ­colar’’ de de­fi­ni­ções pron­tas, en­tão, nem pen­sar. Ou­tra di­fi­cul­da­de que Ven­dra­me ve­ri­fi­ca nos jo­vens é a de não sa­ber ­usar pa­la­vras-cha­ve na ho­ra da pes­qui­sa. O pro­fes­sor diz que uma for­ma mui­to sim­ples de en­si­nar o alu­no a fa­zer a pes­qui­sa da ma­nei­ra cor­re­ta é for­ne­cer um ro­tei­ro de pes­qui­sa. Pe­dir uma in­tro­du­ção e uma con­clu­são so­bre o as­sun­to pes­qui­sa­do tam­bém é uma for­ma de fa­zer com que o alu­no se em­pe­nhe na pes­qui­sa. (M.F.C.)

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