MERCADO DIGITAL - 'Gamemaníacos'
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 24 de março de 2010
Mie Francine Chiba<br> Reportagem Local 
Personagens com características quase humanas, cenários bem próximos do mundo real, ou bem distantes dele - mas que parecem até existir - dão a impressão de estar vivendo toda a situação ali narrada. Os mais velhos não entendem porquê tanto fascínio, mas a atração que os games exercem sobre os jovens é tão grande que a indústria do gênero já até superou a cinematográfica. E qual fanático por jogos nunca se perguntou como eles são feitos e sonhou um dia em ter o seu próprio?
Através de um portal na internet, mesmo crianças a partir dos 12 anos podem aprender a criar o seu próprio game em um curso do grupo CDI: o X-Gamer. O portal, chamado Gamedemia, hospeda um software que simplifica todo o processo de criação de um jogo, sem desvirtuar o aluno do que acontece nas grandes empresas de games. O software, batizado de Gamemod, foi desenvolvido por uma empresa londrinense. Lá, o aluno do curso conta com todas as ferramentas para criar jogos de todos os tipos, cuidando de detalhes que vão desde os personagens até os obstáculos que ele deve enfrentar para alcançar seu objetivo.
A coordenadora pedagógica do CDI Profissionalizante, Gislaine Costa Tavares, diz que os alunos têm entre 12 e 20 anos e, para a maior parte, o objetivo é a diversão. Marjorie Emanuelle Nunes Saraúza, de 15 anos, é uma das únicas meninas do X-Gamer. Fã de jogos desde os 11, quando soube do curso, logo se empolgou com a idéia de criar um a seu modo. ''Estou desenvolvendo uma adaptação do Final Fantasy em 2D'', afirma, referindo-se a um jogo muito popular entre os jovens.
Gabriel Lourenço da Silva, de 14 anos, no momento desenvolve um projeto de jogo de plataforma que mistura personagens famosos dos games como Mario e Sonic. ''Já tenho os personagens e a primeira fase prontos'', conta. O interesse pelo curso partiu dele próprio, que achou que encontraria nos dias de aula momentos de diversão.
As palavras ''aula'' e ''diversão'' não parecem combinar muito, mas é justamente essa a proposta do X-Gamer. ''Os pais compram a ideia pensando na educação. Não tem como produzir um bom jogo sem noções básicas de física, matemática, raciocínio lógico, conceitos de língua portuguesa para criar a narrativa, e sensibilidade cultural e artística para desenvolver os personagens e cenários'', exemplifica Gislaine.
Depois que o aluno cria o seu game, ele pode postá-lo no mesmo portal em que o desenvolveu para que pessoas de todo o mundo possam jogar. ''E é claro que ele vai divulgar para a 'galerinha' toda da escola entrar lá e jogar. Eles querem caprichar no jogo para os amigos verem'', observa a coordenadora.


