Arquivo FolhaMercado de riscoOperador da Bolsa de São Paulo durante o pregão da sexta-feira: preço das ações estão muito baixos, mas incertezas ainda reforçam possibilidade de perdas. Quem está na bolsa não deve sair agora, porque poderá vender papeis com valorização melhor A forte alta das Bolsas na sexta-feira não sugere a volta da calmaria ao mercado. As incertezas permanecem, porque as medidas adotadas até agora estão voltadas apenas para a defesa das reservas cambiais, em sangria com a debandada de capitais. A análise é do diretor-presidente da Lloyds Asset Management (LAM), Walter Brasil Mundel, para quem ‘‘o problema é encontrar novo padrão de financiamento menos dependente do capital externo’’.
Além disso, o governo deve avançar com determinação nas reformas fiscal, que melhore a estrutura de arrecadação, e da Previdência. ‘‘É preciso perseguir ganhos permanentes sobre o déficit público com mudanças constitucionais.’’ O timing de aprovação das reformas, que, segundo ele, deveria acenar com redução do déficit fiscal para algo entre 3% e 3,5% do Produto Interno Bruto (PIB), é o período entre a eleição e a posse do presidente.
Embora o governo tenha ainda forte munição para a defesa do real, a ausência de reformas poderia levar, cedo ou tarde, a uma desvalorização da taxa de câmbio. Uma ação rápida para tocar as reformas conduziria o País a uma virada de ano que acena com possível recuperação econômica do Japão. Um corte dos juros pelo Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA) pode acelerar o crescimento da economia norte-americana. ‘‘Um quadro que tende a melhorar também a situação econômica para os países emergentes.’’
Do ponto de vista de investidor, o momento é favorável às aplicações em fundos DI, segundo Mundel. Os juros estão bastante atraentes e esses fundos podem tirar rápido proveito de eventual nova elevação de taxas. Os preços das ações estão muito baixos, mas as incertezas reforçam o risco. Um caso à parte é de quem já está com dinheiro em ações. ‘‘Quem está em bolsa não deve sair agora, porque ainda pode vender as ações com preço melhor.’’
Sugestão idêntica é passada por Eduardo Santalúcia, responsável pela administração do Private Bank do Banco Sudameris. Para ele, a saída da Bolsa no momento ‘‘é entrega de papéis a preços aviltados’’. O investidor que está em renda fixa também não deve fazer mudanças precipitadas. Para quem tem novos recursos, ele sugere caderneta ou fundos DI . Esses fundos levam vantagem sobre os cambiais. ‘‘O governo já elevou o cupom (rendimento) dos títulos cambiais e agora passou a elevar os juros do CDI ( títulos que garantem o financiamento entre bancos).’’

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