Mercado deve iniciar semana com cautela
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domingo, 24 de março de 2002
Agência EstadoSão Paulo 
A cautela deve voltar a dominar os negócios no mercado, a partir de hoje, principalmente depois que o Copom optou por um corte modesto da taxa Selic, de 18,75% para 18,5% ao ano, num momento em que a maior parte dos analistas acreditava numa redução de 0,5 ponto. As incertezas no cenário eleitoral e a demora na aprovação da emenda da CPMF também contribuíram para que o otimismo fosse substituído pela prudência. O anúncio de que o gás de cozinha vai subir 14,5% a partir de abril também desagradou ao mercado, pois o reajuste tende a levar o BC a manter o conservadorismo na condução da política monetária. Na sexta-feira, até a pressão sobre o câmbio na Argentina voltou a incomodar. Nesse cenário conturbado, as projeções de juros e o dólar subiram e a bolsa caiu com força.
Os analistas estão ansiosos para conhecer o resultado da pesquisa CNT/Sensus sobre as eleições presidenciais, que deve vir a público hoje. Na sexta. circularam boatos de que uma sondagem mostraria o governador Anthony Garotinho (PSB-RJ) na frente do senador José Serra (PSDB-SP), o candidato preferido pelo mercado.
Mas a atenção dos analistas vai estar voltada principalmente para a divulgação do Relatório de Inflação, na quarta-feira, e da ata da reunião do Copom, na quinta. Os documentos devem dar pistas sobre os rumos da política monetária e explicitar as razões que levaram o BC a reduzir a Selic em apenas 0,25 ponto.
A ata da reunião de fevereiro indicou que o BC passaria a mirar num IPCA de 4% a 4,5% em 2002, e não mais no centro da meta, de 3,5%. O documento também afirmava que a instituição tentaria fazer a inflação convergir para o centro do alvo em 18 a 24 meses, e não mais no ano em curso. Com isso, boa parte do mercado acreditou que o Copom seria mais ousado, ainda mais num momento de queda do risco país e do dólar, e de recuperação da economia americana.
O economista-chefe do HSBC, Alexandre Bassoli, entende que o BC preferiu um corte modesto da Selic porque o núcleo do IPCA de fevereiro ficou num nível elevado e o nível de atividade já começa a dar sinais de recuperação mais significativa. Além disso, ele diz que os aumentos dos combustíveis e do gás de cozinha podem levar o IPCA deste ano a atingir 5,4%, um nível muito próximo ao teto do intervalo de tolerância da meta, de 5,5%.
Para Bassoli, embora o BC não vá tentar trazer o indicador para o centro do alvo, a instituição não vai correr o risco de ver a inflação estourar a meta pelo segundo ano consecutivo, para não afetar a credibilidade do regime. Nesse cenário, afirma ele, o mais provável é que o Copom continue reduzindo os juros gradualmente nos próximos meses cortes mais expressivos podem ocorrer no segundo semestre, desde que as incertezas no cenário político diminuam. Com isso, o risco país tende a cair, abrindo espaço para uma redução mais agressiva das taxas, com a Selic atingindo 16,5% no fim do ano.


