O noticiário econômico divulga que o dólar caiu a R$ 2,90. Nas casas de câmbio, porém, a moeda não é vendida por menos de R$ 3,00. O que explica a diferença entre o valor oficial e o praticado pelo mercado? Segundo Daniel Milanez, administrador de fundos de investimentos da Investidor Global, em Londrina, a disparidade resulta das próprias leis do mercado.
''É o dono da casa de câmbio que estipula o preço, de acordo com a procura pela moeda. Se ele sobe mais que a concorrência, perde clientes'', disse, lembrando que não há qualquer tipo de controle sobre a cotação paralela. ''É um mercado como os outros''.
O dólar comercial é vendido apenas pelo Banco Central e só pode ser comprado por instituições financeiras. A moeda comercializada pelas casas de câmbio, por sua vez, é da categoria turismo e deveria atender apenas às pessoas que vão viajar para o exterior. Tem muita gente, entretanto, que encara a aquisição da moeda como um investimento - opção que Milanez considera equivocada.
Segundo ele, os fundos cambiais existentes no mercado oferecem a mesma rentabilidade do dólar com a vantagem de não praticarem ''spread'', que é a diferença entre o preço de compra e venda da moeda norte-americana. ''A valorização ou desvalorização é a mesma. Mas o investidor ganha mais com o fundo porque não paga a diferença'', comentou.
Ao contrário da idéia recorrente, os fundos cambiais não estão disponíveis apenas para os grandes investidores. Nos bancos pesquisados pela Folha, o valor mínimo para iniciar a aplicação é R$ 1 mil. Os interessados, porém, devem pesquisar vários bancos antes de fazer o investimento. Nas instituições investigadas, a taxa de administração cobrada variou de 2,5% a 4% ao ano.
Na atual conjuntura de incerteza sobre a cotação da moeda americana, o analista considera que os investimentos em dólar ou fundos cambiais são indicados principalmente para quem tem compromissos futuros cotados pela moeda ou então têm viagem certa para o exterior. Nesses casos, ele orienta a vender apenas na época de saldar os compromissos. ''É uma operação de proteção'', afirmou.
Já aqueles que compraram dólares ou investiram em fundos cambiais por motivos especulativos enfrentam um cenário de incerteza. ''Nem o presidente do Banco Central sabe como vai ficar a cotação'', opinou. Aos seus clientes, ele aconselharia segurar a moeda, pois acredita que há espaço para alta futura. ''A atual cotação reflete um otimismo exagerado'', comentou.
Sobre investimentos seguros para esses tempos incertos, ele afirmou que as opções de renda fixa, que garantem lucros de até 18% ao ano, continuam sendo recomendadas. Outro investimento são as Cédulas do Produtor Rural (CPRs), com rentabilidade de até 26% ao ano. O negócio é seguro, de acordo com Milanez, porque é avalizado pelo Banco do Brasil.

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