A Bovespa fechou o pregão desta segunda-feira registrando alta de 4,12%, em 15.055 pontos, próxima da máxima do dia, de 15.069 pontos. O giro financeiro ficou em R$ 940 milhões, fortalecido pelo leilão de oferta pública de ações da Light e da Eletropaulo Metropolitana. Apesar de ser a maior alta desde 21 de março (4,66%) e a terceira maior do ano, analistas do mercado mostraram-se pouco empolgados com o fechamento da Bovespa. Para eles, o comportamento acionário no Brasil ontem não foi consistente e tampouco projetou uma tendência. ‘‘O mercado operou com baixa liquidez durante o dia todo’’, disse um operador, lembrando que do fluxo de R$ 940 milhões, R$ 445,1 milhões resultaram do leilão de oferta pública.
O que puxou a alta da bolsa nesta segunda-feira, segundo afirmou um analista, em primeiro plano, foi a melhora observada com relação à Argentina. O anúncio de cortes de gastos da ordem de US$ 600 milhões tranquilizou os investidores. Além disso, houve fortes altas nas bolsas dos EUA.
A Nasdaq fechou em alta de 78,6 pontos, ou 2,23%, para 3.607,68 pontos. O índice Dow Jones subiu 198 pontos, ou 1,87%, para fechar em 10.807,7 pontos. Na abertura dos negócios, o mercado acionário não dava nem sinais de que poderia fechar o dia em alta. Movido pelo clima de expectativa em torno, principalmente, da reunião de amanhã na qual o Fed deverá elevar a taxa básica de juros dos EUA, o mercado atuou retraído durante boa parte da manhã. O índice da carteira teórica paulista variou da mínima de -0,43% à máxima de +0,83% sem apresentar movimentos bruscos, conforme apurou a editora Liliana Hage.
Com relação à reunião do Fed hoje, uma novidade se verificou no mercado no final da tarde. Os analistas de mercado já não estavam mais tão fechados em torno do consenso de que a autoridade monetária dos EUA irá puxar a taxa em 0,50 ponto percentual. Alguns deles já falavam em uma elevação menor, de 0,25 ponto.
Depois de passar uma semana inteira em alta, o dólar encerrou esta segunda-feira em baixa. Tudo contribuiu para a queda do dólar ontem: fluxo cambial positivo, melhora nos contratos de câmbio de exportação, disparada dos índices de preços de ações tanto em São Paulo quanto em Nova York, recuperação das cotações dos bradies e, também, um ou outro telefonema informal do BC. Depois de abrir em alta no período da manhã, o dólar fechou a tarde em queda de 0,65%, cotado a R$ 1,8250.
O mercado de câmbio iniciou o dia pressionado, refletindo preocupação com a Argentina e também à espera da abertura dos negócios em Wall Street. O dólar chegou a subiu 0,49%, sendo negociado a R$ 1,8460 durante o período da manhã. À tarde, no entanto, o comportamento do câmbio se alterou. E as cotações começaram a ceder diante do bom desempenho dos mercados de ações (aqui e nos EUA) e, principalmente, por causa do fluxo cambial positivo.
A combinação de fatores positivos que impulsionou a Bovespa e fez o dólar cair forte também favoreceu o mercado de juros. Segundo avaliação de operadores, ontem houve uma correção do excessivo pessimismo que dominou os negócios na semana passada. Por isso, o contrato de DI para outubro fechou o dia projetando taxa de 20,811%, contra os 21,99% de sexta-feira, uma alta de 120 pontos no PU.(Márcia Pinheiro, Mario Rocha e Francisco Carlos de Assis)

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