São Paulo O dólar voltou a bater R$ 3,80 ontem, pela primeira vez desde outubro. Após uma intervenção do Banco Central, nos minutos finais do pregão, a alta da moeda arrefeceu e fechou a R$ 3,765, valorizada em 1,21%. Foi o terceiro dia seguido de alta do dólar.
O risco-país subiu mais 6,5%, para 1.709. Foi a maior alta em um dia do indicador calculado pelo JP Morgan em quase dois meses. Analistas avaliam que a tendência é que a moeda continue a subir pelo menos enquanto o PT não anunciar os nomes do novo presidente do Banco Central e do Ministro da Fazenda.
O mercado está descontente com a demora do governo petista na divulgação dos nomes . ''O atraso no anúncio da nova equipe econômica levou o mercado a avaliar que o PT tem dificuldades em trazer bons nomes para o seu governo'', afirma Marco Franklin, sócio-diretor da ARX Capital Management. ''A especulação, que pode ser falsa, é que ainda não há um nome para o cargo.''
Alexandre Vasarhelyi, chefe da mesa de câmbio do banco ING, lembra que o novo governo havia se comprometido a divulgar os nomes até ontem. ''Como não o fez, frustrou expectativas que ele mesmo criou, e o mercado reagiu pressionando o dólar.''
Ainda que a maior parte do mercado avalie que há falta de opções para o BC, há aqueles que interpretem como correta a atitude de Lula em dizer que anunciará o nome no momento certo e não necessariamente no momento desejado pelo mercado.
Segundo um analista, Lula teria se comprometido a fazer uma administração diferente e teria como prioridade, por exemplo, divulgar os nomes daqueles que cuidarão de outras áreas do governo, como saúde e educação.
O atual cenário político-econômico propicia uma nova onda de tensão nos mercados. ''Vivemos um momento de limbo político'', afirma Wilson Ramião, economista do Lloyds TSB. Ele se refere ao fato de que o governo FHC está em seus últimos dias e tem uma atuação limitada. E Lula ainda não tomou posse.
''É possível dizer que nada do que se faz agora tem validade. E as atenções se voltam para o que se fala, mas que ainda não pode ser concretizado'', diz.
Além disso, no lado econômico, há a preocupação com a volta da inflação. O mercado está certo de que os juros brasileiros subirão novamente na próxima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) do BC.
Na BM&F (Bolsa de Mercadorias & Futuros), as projeções para os juros no curto prazo abriram mais de 1,5 ponto percentual em relação à Selic (taxa básica), atualmente em 22% ao ano. O DI de janeiro fechou a 23,59% ao ano.

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