Os emplacamentos de veículos em geral caíram de 816.087 nos dois primeiros meses do ano passado para 799.538 no mesmo período de 2013, uma diferença negativa de 2%, segundo divulgou ontem a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave). Para o presidente executivo da Fenabrave, Alarico Assumpção Júnior, há desconforto pelo risco de a retração resultar em um retorno aos patamares médios da crise de 2008 e 2009, mas em Londrina o sentimento é de que o mercado não vive essa perda.
Depois do recorde de vendas para o mês de janeiro com 450.760 unidades, a entidade culpou o menor número de dias úteis em fevereiro sobre o mês anterior e o reflexo da redução no desconto do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para o setor pelo resultado. Foram 348.778 veículos emplacados no mês passado ante 369.925 no mesmo período de 2012, ou 5,7% a menos. Assim, a Fenabrave reduziu a previsão de crescimento anual do setor de 3%, conforme divulgado em janeiro, para 2,6%. "Foi o primeiro mês que estoques de concessionárias não tinham veículos com o IPI reduzido", lembra Assumpção.
Ainda sem o balanço regional fechado, as concessionárias de Londrina não sentiram queda expressiva nas vendas. O diretor comercial da Metronorte, Waldir de Rezende Filho, afirma que a revendedora da GM manteve o mesmo patamar de negócios em fevereiro nos últimos dois anos. "Não houve nada que afetasse, porque tivemos promoções", diz. Ele afirma que ainda contou com a falta de alguns produtos, algo que está resolvido para março.
Na Marajó, revenda Fiat, o gerente de vendas José Fernandes Mendes conta que houve aumento de 7% em negócios em relação a fevereiro de 2012. Depois das 165 unidades vendidas em janeiro deste ano, a concessionária fechou o mês passado com 125, resultado tido como equiparável se considerado que foram cinco dias úteis a menos em fevereiro. "O cliente pensa um pouco mais por causa do IPI, mas não chega a atrapalhar a venda."
Na Ford Tropical, o problema foi a falta de alguns modelos, causada pela redução dos estoques com as boas vendas no ano passado e pelas férias coletivas no fim do ano. "O faturamento foi um pouco menor, mas, se tivéssemos estoque, poderia ser melhor", conta o gerente comercial Fábio Citta.
A Norpave sofreu queda nas vendas de 4% no mês passado sobre fevereiro de 2012, mas nada que assuste o gerente de vendas da concessionária Volkswagen, Luiz Carlos de Andrade. "No mês de março deve ocorrer uma nova corrida de clientes às compras porque em abril terá um novo aumento do IPI", diz, sobre a diminuição do desconto no imposto feita em parcelas, até junho.

Por segmento
Mesmo com queda em fevereiro deste ano em relação ao mesmo período de 2012, as vendas de automóveis e comerciais leves tiveram o terceiro melhor resultado para o mês desde 1995. Foram 222.496 emplacamentos, menos apenas do que os 258.782 de 2011 e os 235.820 de 2012.
No caso dos caminhões, houve queda de 7% na comparação entre os dois períodos, mas a expectativa do presidente executivo da Fenabrave é de que o segmento cresça neste ano. "Deve se recuperar por conta da safra e de outros setores, como cargas industrializadas, minérios e por conta da melhoria da infraestrutura."
As vendas de ônibus, diz Alarico Assumpção Júnior, devem voltar a aumentar porque as passagens aéreas tendem a ficar mais caras neste ano, o que levará a uma maior procura pelo transporte rodoviário. No caso de motocicletas, continua a reclamação da entidade sobre a baixa oferta de crédito, mas a expectativa é de aumento nas vendas de 3,7% neste ano pela demanda nos consórcios. (Com Agência Estado)

Imagem ilustrativa da imagem Mercado de veículos segue aquecido em Londrina
mockup