Mercado de veículos manteve recuperação em abril
Segmentos de caminhões e motocicletas apresentam expansão mais expressiva que o dos automóveis
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 03 de maio de 2019
Segmentos de caminhões e motocicletas apresentam expansão mais expressiva que o dos automóveis
Nelson Bortolin - Grupo Folha 

O mercado de automóveis cresceu 11% em abril na comparação com março. No acumulado do ano, a alta chega a praticamente 9%. Em abril, foram vendidos 189 mil automóveis em todo o País, contra 170,4 mil em março. De janeiro a abril, foram emplacados 685,8 mil automóveis. Os comerciais leves tiveram desempenho parecido (ver quadro).
A recuperação maior se dá nos segmentos de caminhões, que cresceu 43%, de implementos rodoviários (60,6%) e de ônibus (74%). As motocicletas também apresentam uma boa expansão, de quase 17%. Os números são da Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores) e foram divulgados nesta quinta-feira (2).

Felipe Haas, gerente da P.B. Lopes,concessionária Scania em Londrina, confirma um crescimento nas vendas de caminhões no patamar apontado pela Fenabrave. “Temos um crescimento importante em relação ao mesmo período do ano passado. E achamos que no segundo semestre vamos crescer ainda mais”, afirma.
A movimentação do milho, que deve ter seu pico em julho, e da soja que ainda não foi exportada vai demandar mais caminhões pesados, segundo ele. O gerente conta que o agronegócio é responsável por metade do mercado de caminhões na região.
De acordo com Haas, os transportadores estão agora renovando a frota adquirida há “cinco ou seis anos”, quando o mercado de caminhões encerrava um ciclo de superaquecimento devido às condições favoráveis de crédito oferecidas nos governos do PT, por meio do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).
De 2008 a 2014, foram vendidos mais de 100 mil caminhões por ano no País. Em 2011, houve o ápice de 172,6 mil unidades emplacadas. O mercado desabou de 2014 - quando houve 137 mil emplacamentos - para 2015, com apenas 71,7 mil. Uma superoferta de veículos de carga justamente no início da crise econômica jogou os fretes para baixo prejudicando fortemente o setor de transporte. “Tivemos aquele boom há cinco, seis anos, agora o mercado está se equilibrando entre oferta e demanda”, diz o gerente.
MOTOCICLETAS
Na PB Moto, loja de motocicletas da marca Yamaha, os negócios melhoraram bastante, segundo o proprietário, Cesar de Oliveira. Ele diz que a indústria não estava preparada para uma expansão tão expressiva nas vendas. “Tem faltado alguns modelos”, conta citando lançamentos da marca japonesa feitos no ano passado. “Para as motos de mais cilindrada, que são importadas, tem de fazer pedido e esperar.”
Para ele, a posse do presidente Jair Bolsonaro é o que fez diferença no mercado. “Passou aquele pessimismo de antes. A pessoa ficava com medo de perder o emprego e aí não comprava”, declara.
Já a concessionária de automóveis Metronorte contabiliza um aumento de 15% nas vendas. Valdir Rezende, gerente comercial da loja GM, atribui o aumento ao esforço da montadora e da rede distribuidora. “Fazemos muitas promoções, oferecendo financiamentos a juro zero”, alega.
O mercado na cidade também recebeu ajuda da ExpoLondrina em abril. “A exposição agrega de 25% a 30% nos negócios do mês”, conta.
Ele ressalta que a economia “não vive seus melhores momentos”, mas a expectativa é de melhora caso o governo consiga aprovar reformas.


