Curitiba O comércio e a indústria do Paraná devem contratar 17 mil trabalhadores temporários para o Natal. Para quem está sem emprego é uma chance de conseguir uma colocação no mercado de trabalho e, em alguns casos, até ser efetivado. De acordo com dados da Associação Brasileira das Empresas de Serviços Terceirizáveis e de Trabalho Temporário (Assertten), cerca de 30% dos temporários acabam sendo efetivados pelas empresas.
A indústria já iniciou a contratação em julho e encerra o processo de seleção neste mês para atender o pico de produção para o Natal que acontece entre julho e setembro. O comércio começa a recrutar funcionários em outubro para atuarem nas lojas até o Natal. Segundo dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), o comércio paga R$ 483, que é o piso dos vendedores comissionados e a indústria R$ 500 a R$ 600, em média.
Segundo o supervisor técnico do Dieese, Cid Cordeiro, o comércio do Estado deve contratar 12 mil temporários neste ano e a indústria de 4 mil a 5 mil. No comércio os setores que mais admitem são confecções, calçados, brinquedos, eletroeletrônicos, shoppings e supermercados. Na indústria, a maior parte das contratações ocorre nos setores de eletroeletrônicos, brinquedos e alimentação.
Cordeiro explica que a indústria deve contratar menos porque sofreu impacto forte da desvalorização cambial e da crise da agricultura. Ele esclareceu ainda que a indústria é mais concentrada. Já o comércio é constituído de pequenas e médias empresas que abrem pontos em vários locais dentro da mesma cidade, por isso, gera mais vagas.
Ele acredita que a perspectiva que o empresário tem para o ano seguinte é o primeiro ponto a ser observado para efetivar as contratações dos temporários. Além disso, é levado em conta se o funcionário teve bom desempenho. O diretor da Assertten, Vander Morales acrescenta que disposição para trabalhar, para aprender, para atuar em equipe, não recusar tarefas e ser pró-ativo são fatores que pesam na hora de efetivar.
''No comércio mesmo quem não tem experiência, o contrato temporário acaba sendo uma ótima oportunidade de primeiro emprego'', disse Morales. O perfil das contratações temporárias no comércio é de jovens de 18 a 24 anos. Por outro lado, a indústria contrata pessoas com perfil técnico, qualificação e com experiência.
Luiz Carlos Alves, 18 anos, está entre os ''felizardos'' que conseguiram emprego temporário. Ele foi contratado pelo O Boticário no começo de agosto para trabalhar como auxiliar de operações na linha de produção. Ele tinha trabalhado como temporário por seis meses em uma indústria de retrovisores. ''As empresas levam em conta a experiência que a gente tem'', disse. ''Eu estava precisando do trabalho. Fiquei feliz ao saber que fui selecionado. Alves recebe um salário bruto de R$ 707.
Segundo o coordenador de produção da empresa, Márcio Antonio de Carvalho, já foram contratados 64 temporários para a linha de produção. O Boticário tem 340 funcionários efetivos na indústria, sendo 250 deles atuando diretamente na linha de produção.

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