O mercado de trabalho no Brasil piorou, diz o IBGE: há menos gente trabalhando e o rendimento médio caiu, embora a taxa de desemprego venha se mantendo estável. É o que mostra a PME (Pesquisa Mensal de Emprego) de setembro de 2001, divulgada ontem.
De acordo com a PME, 106 mil pessoas perderam o emprego de setembro do ano passado a setembro deste ano. No mesmo período, outras 113 mil, já desempregadas, simplesmente desistiram de procurar trabalho. A PEA (População Economicamente Ativa) sofreu redução de 219 mil pessoas (1,2%).
Assim, a taxa de ocupação - que vinha com variação positiva desde outubro de 1999 - caiu 0,6% em setembro de 2001 em comparação com o mesmo mês do ano passado. Em setembro do ano passado, o percentual de pessoas com mais de 15 anos que estavam trabalhando era de 54,51%. Caiu para 52,84% este ano.
A taxa de desemprego (baseada no número de pessoas que estavam procurando emprego no período da pesquisa) se manteve na casa de 6,2% em setembro de 2001, o mesmo índice verificado em agosto e julho. Houve queda em relação a setembro de 2000, quando a taxa foi de 6,7%.
No cálculo já livre das influências sazonais (que permite uma comparação melhor com o mês anterior, pois evita as diferenças típicas de períodos de muita contratação), a taxa de desemprego sofreu ligeiro aumento, passando de 6,1% em agosto para 6,3% em setembro.
Para Shyrlene Ramos de Souza, do Departamento de Emprego e Rendimento do IBGE, a piora no mercado é resultado da crise da Argentina, da subida do dólar e do aumento dos juros. É cedo, segundo ela, para avaliar o impacto dos atentados terroristas nos Estados Unidos, embora eles possam ter se refletido, por exemplo, no turismo. ''O mercado de trabalho encolheu e não está gerando vagas em número suficiente para absorver todas as pessoas'', afirmou.
Ela explicou que a taxa de desemprego, tomada isoladamente, não é suficiente para fazer uma avaliação do mercado. ''É preciso analisar o número de pessoas trabalhando, e isso vem caindo. Há queda da ocupação e aumento da inatividade'', afirmou.
Houve crescimento de 1 milhão de pessoas no grupo dos inativos (que formam a não-PEA) em relação a 2000. Esse grupo inclui, além das 219 mil pessoas que perderam o emprego ou deixaram de procurar trabalho, aposentados, donas de casa e jovens acima de 15 anos.
O rendimento médio do trabalhador em agosto de 2001 teve queda de 1,9% em relação a julho deste ano e queda de 4,6% em relação a agosto de 2000. Para o total de pessoas ocupadas, o rendimento médio foi de R$ 749,53.

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