Rio - A preocupação com o mercado de trabalho está desestabilizando a confiança do consumidor e comprometendo a intenção de compra de bens duráveis, mesmo com as medidas de incentivo do governo. De maio a julho deste ano, o Índice de Confiança do Consumidor acumulou queda de 5,5% e o indicador relativo à expectativa de bens duráveis em julho, de 88,3%, é o menor registrado desde fevereiro deste ano (79,8%). Neste mês, houve uma reversão no quadro de intenção de compra de automóveis e eletrodomésticos, que se mantinha crescente desde janeiro deste ano. O Índice de Confiança do Consumidor caiu 1,5% em julho. É a terceira queda consecutiva do índice, que passou de 123,5 pontos para 121,6 pontos no período.
''A inadimplência está mais alta e o consumidor está cauteloso com o que vai acontecer com o mercado de trabalho. A grande novidade da pesquisa é que as compras parceladas têm prazo de vencimento mais curto do que se esperava'', afirmou Viviane Seda, economista do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV), responsável pela Sondagem de Expectativa do Consumidor, divulgada nesta quarta-feira. Com a esperada retomada da economia, a confiança do consumo também deverá retornar e alimentar o ciclo de crescimento.
A grande maioria dos entrevistados em 2,1 mil domicílios em julho, 77,3%, informou ter contas parceladas a vencer no prazo de até seis meses. ''Os analistas pensavam que a compra parcelada tinha um prazo maior. Estamos com um cenário mais favorável. As contas podem ser mais rapidamente ajustadas'', aposta a economista do Ibre/FGV. Entre os consumidores, 12,6% afirmaram ter dívida em aberto no período de sete a 12 meses e 10,1%, de mais de 12 meses.

Imagem ilustrativa da imagem Mercado de trabalho deixa consumidor cauteloso
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