Lá se vai o tempo em que era novidade ver a mulher invandindo o mercado de trabalho e ocupando cargos que até então eram exercidos majoritariamente por homens. Mas, elas nunca se cansam de surpreender. São executivas, empresárias, motogirls, azulejistas, mecânicas... De ponta a ponta da economia, lá está a mulher, sempre subindo mais um degrau e conquistando um novo espaço. Imprimindo graça, delicadeza, excelência e aquele toque especial para tornar o mundo dos negócios um lugar melhor, mais agradável e, por que não, com melhor desempenho.
A função pode ter uma ''cara'' mais masculina, não tem problema. Graziela Cristina Santhier do Amaral, 23 anos, veste seu tênis, capacete e capa de chuva - todos cor-de-rosa - sobe em sua moto e não se sente intimidada. Há pouco mais de um mês como motogirl, Graziela tem adorado a nova profissão, está bastante confiante e diz que os homens (os motoboys) da empresa onde trabalha são bastante companheiros. ''Não existe preconceito'', garante.
Grazi e mais duas moças, Anacléa Celeste Ribeiro, 26, e Leila Patrícia dos Reis, 30, são as únicas motogirls da firma que emprega quase 80 entregadores. As três contam que os clientes sempre ficam um pouco surpresos quando chega uma mulher de moto para fazer a entrega. ''Mas eles gostam, brincam, falam que bom que agora é uma moça fazendo a entrega'', brinca Leila, empregada há três meses. ''As pessoas se surpreendem no começo, mas a recepção é sempre tranquila'', revela Anacléa, que entrou para a empresa há seis meses.
Em comum, as três nutrem o amor pelas motos. Leila, inclusive, comprou uma nova ''companheira de trabalho'', com a ajuda da mãe, especialmente para começar no novo emprego. Cléa só tem habilitação de moto e Graziela quis de todo jeito tirar a carteira de moto junto com a do carro. Elas contam que sempre gostaram de pilotar e, talvez, tenha sido isso que mais as atraíram para entrar nessa profissão ainda ocupada quase que 100% por homens.
A favor delas, o patrão. Rafael Francisco Martins, proprietário da Vai & Vem Entregas Rápidas, diz que começou a dar oportunidades para as mulheres a partir do momento que chegaram os primeiros currículos. ''Tem dado certo'', afirma o empresário.
Segundo ele, alguns pontos contam muito positivamente para as novas funcionárias. ''Mulher é mais cuidadosa no trânsito, mais prudente, e com moto é preciso ter muita atenção'', enumera Martins. Mas não só. ''A gente percebe que elas também são mais compromissadas, responsáveis, cumprem melhor o horário, acatam as responsabilidades'', acrescenta, comentando que as motogirls fazem os mesmos serviços dos rapazes, não há privilégios. Fazem serviço de banco e entregam de jornal a peças de carros. O salário também é o mesmo: R$ 550.

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