Desde 2008 o mercado vem mostrando indícios cada vez mais fortes de que está interessado em mão de obra qualificada e ''madura'' e a oferta de vagas para pessoas com mais de 40 anos e até já aposentadas tem aumentado a cada ano. Só em 2010 o crescimento de vagas para estas faixas de idade aumentou em média 10,3%, comparada ao ano anterior. ''As empresas estão de olho nos profissionais que têm experiência porque trazem produtividade e resultados mais rapidamente, exigindo menos investimentos. Mas o aspecto que mais tem atraído o mercado é o comprometimento que o trabalhador experiente costuma demonstrar para com a empresa. Uma maturidade que falta aos mais jovens'', afirma o presidente do Sindicato das Empresas de Consultoria, Assessoria, Perícias e Contabilidade de Londrina (Sescap-Ldr), Marcelo Odetto Esquiante.
Ele explica que as empresas enfrentam problemas com a alta rotatividade entre os trabalhadores mais jovens. De acordo com as empresas, diz, estes profissionais se deixam seduzir facilmente por novas propostas e não priorizam a consolidação da carreira que exige a continuidade. Esta atitude gera prejuízos significativos porque a contratação de um funcionário jovem demanda investimento de recursos e tempo em treinamento e adaptação à empresa. A procura por profissionais experientes tem sido ainda maior entre as empresas de pequeno e médio porte porque elas têm menos estrutura e recursos para investir.
E os números do próprio governo federal comprovam isso. De acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, de 2003 até o primeiro trimestre de 2011, o número de profissionais empregados com mais de 50 anos aumentou em 56,1%. No ano passado foram criadas 500 mil vagas para profissionais com idade entre 50 e 64 anos.
A situação tem chamado a atenção das empresas que atuam na captação de mão de obra. ''Vestir a camisa da empresa'', tem se tornado uma característica tão desejada pelos empregadores que chega a ser equiparada à importância de pós-graduações na hora da contratação. Por isto, em muitas empresas, a seleção considera o número de empregos e o tempo de permanência dos candidatos nos trabalhos anteriores. Como as empresas passaram a ver a idade como um fator de maturidade profissional, os trabalhadores mais experientes são agora também os mais cotados para cargos de chefia.
O crescimento do mercado e a consequente falta de mão de obra qualificada também aumenta a procura por profissionais mais velhos, ampliando as oportunidades para os que têm mais de 40 anos. Uma das evidências deste comportamento do mercado é o aparecimento de jurisprudências como a orientação do Tribunal Superior do Trabalho (TST) que entende não haver extinção do contrato de trabalho por ocasião da aposentadoria, o que permite a continuidade da relação de trabalho sem a necessidade da recontratação. ''A decisão do TST mostra que o número de empresas interessadas em manter seu quadro de funcionários mesmo após a aposentadoria é grande'', analisa Esquiante.
Há inclusive um projeto de lei do deputado distrital, Dr. Michel (PSL), do Distrito Federal, que propõe reserva de vagas para trabalhadores com idade igual ou superior a 50 anos. O projeto determina que nas licitações de prestação de serviço com fornecimento de mão de obra feitas pelo Governo do Distrito Federal, ficam os órgãos da administração direta, fundações públicas, empresas públicas, sociedade de economia mista e demais entidades diretas e indiretamente controladas pelo Governo do Distrito Federal (GDF) obrigados a reservar no mínimo 10% das vagas para contratação de trabalhadores com 50 anos ou mais. A argumentação é que os jovens já têm políticas públicas de inclusão no mercado profissional e há necessidade de se criar também vagas para as pessoas com mais idade e que continuam aptas ao trabalho.
Fonte: Sindicato das Empresas de Consultoria, Assessoria, Perícias e Contabilidade de Londrina - Sescap-Ldr

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