São Paulo A quebra de 10% da safra de laranja na Espanha, maior produtor europeu do fruto, e o forte calor que atinge todo o continente elevaram o consumo do suco e tiveram reflexo nas exportações brasileiras de concentrados. O incremento das vendas externas de suco neste ano, de 13%, teve impacto direto no consumo interno de defensivos para os pomares: 52% do custo da produção referem-se à mão-de-obra e aos implementos agrícolas.
''De cada dez copos de suco de laranja consumidos na Europa, oito são da fruta brasileira'', conta o presidente da Associação Brasileira dos Exportadores de Cítricos (Abecitrus), Ademerval Garcia. O aumento das vendas externas, no entanto, será suficiente para recompor as 100 mil toneladas/ano de sucos concentrados, no valor de US$ 100 milhões, perdidas devido à crise econômica brasileira.
No ano passado, as vendas externas somaram 700 mil toneladas, no valor de US$ 700 milhões, enquanto o normal seriam 800 mil toneladas, no valor de US$ 800 milhões. ''O aumento deste ano é apenas recuperação'', lamenta Garcia. O Brasil é o maior produtor mundial de suco concentrado de laranja, seguido por Estados Unidos e Espanha.
Contudo, a posição não tem justificado grandes guinadas no que se refere ao aumento da área plantada. ''O resultado do novo plantio se dá em quatro anos. Por isso, quando há aumento da demanda, usam-se os estoques para supri-la, e não se pensa no aumento imediato da área de plantio, porque não se sabe das oscilações futuras'', explica Garcia.
A demanda é constante e crescente nos Estados Unidos, China, Rússia e Europa Ocidental. Antes de 2001, porém, o crescimento do consumo mundial variava de 3% a 3,5%, ou cerca de 30 mil toneladas/ano de suco concentrado, no valor de US$ 30 milhões. ''O Brasil não fica com nada do crescimento, porque está atrelado ao bloco Mercosul. Outras regiões acabam fazendo acordos comerciais para novos suprimentos, de forma que ficamos fora'', diz Garcia.

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