Sair da rotina, incrementar a vida a dois ou apenas se divertir um pouco são alguns dos motivos que levam as pessoas a visitar um sex shop para comprar algum produto. Por conta disso, o setor cresce cerca de 15% ao ano, destaca-se pelo bom desempenho mesmo em meio à crise e alcança um faturamento anual de R$ 700 milhões, segundo dados da Associação Brasileira das Empresas do Mercado Erótico e Sensual (Abeme).
De acordo com dados da associação, mais de 600 sex shops estão espalhados pelo País, sendo 90% deles localizados nos estados do sul e sudeste. Aproximadamente 2 mil itens, entre eles, lingeries, bonecas infláveis, cosméticos e vibradores podem ser encontrados nestas lojas, com preços que variam de R$ 3 a R$ 2 mil. O estabelecimento com o melhor volume de vendas está instalado em Curitiba.
''Estamos quebrando barreiras. O pornográfico está nos olhos de quem vê e não exatamente no que é visto'', disse Evaldo Shiroma, presidente da Abeme. Ele informa que 80% dos consumidores dos produtos eróticos são as mulheres. O restante é dividido igualmente entre os homens e o púlblico GLS (gays, lésbicas e simpatizantes). ''O preconceito vem diminuindo. Muitas pessoas procuram os sex shops em busca de alguma coisa para recuperar a relação ou apenas sair da rotina'', completa.
Segundo Shiroma, a maior parte dos visitantes que passaram pela 8 Erotika Fair, feira de produtos eróticos realizada de 20 a 26 de abril, em São Paulo, era formada por casais. A feira recebeu mais de 18 mil pessoas e movimentou R$ 2 milhões em negócios. Shiroma frisou que o número foi considerável, mas 80% dos produtos, por serem importados, ainda têm um custo alto. ''Esperamos viabilizar as exportações, diminuindo os encargos e consequetemente os preços'', afirmou.
Em Londrina, o movimento destas lojas também é considerável e dividido igualmente entre homens e mulheres. No Sex Shop Brasil, inaugurado há oito anos, o segredo foi formar a clientela. ''Ainda existe um certo tabu, mas tenho clientes assíduos que todo mês aparecem para comprar alguma coisa'', lembrou Renato Cordeiro Batista, dono da loja. Além disso, para garantir boas vendas, ele diz que procura aliar o bom atendimento à qualidade do produto.
Pelo menos 600 itens podem ser encontrados no estabelecimento. Os preços variam de R$ 5 (sabonetes com formatos eróticos) até R$ 10 mil (bonecas infláveis). Sem um número preciso do faturamento mensal, Batista informa que são vendidos cerca de 200 produtos todo mês. Os mais procurados são vibradores com preços de R$ 90 a R$ 200 e gel lubrificante por R$ 30. O Dia dos Namorados e o período do Natal são as melhoras datas para vender.
No sex shop Papillon, com apenas noves meses de atividade, o meio para se conseguir boas vendas é oferecer um atendimento diferenciado. ''Lidamos com a intimidade das pessoas. Muitos têm vergonha, por isso precisamos atender com muito cuidado'', falou a responsável pela loja, Luciana Cristina Pereira. Um dos itens que mais são vendidos são as fantasias de enfermeira e estudante com preço de R$ 40.

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