Com um crescimento de 94,5% nos últimos seis anos, o mercado segurador brasileiro está bem longe da retração econômica. Dados da Confederação Nacional das Empresas de Seguros Gerais, Previdência Privada e Vida, Saúde Suplementar e Capitalização (CNseg), apontam uma arrecadação do segmento de R$ 183,8 bilhões em 2010, o que representa 5,17% do total dos bens e serviços produzidos no País (PIB) no ano passado. No que diz respeito ao montante de investimentos em poupança interna, já que o mercado de seguros é um investidor institucional, as aplicações ultrapassaram o valor de R$ 375 bilhões. Agora, a grande meta do segmento é atingir as classes C e D com produtos de baixo custo e que atendam às necessidades desta parcela da população. Momento está bom para o segmento e crescimento continua acentuado.
Uma pesquisa encomendada pela entidade estima que a penetração dos seguros nas classes A e B é de 42%. Já na classe C, o número despenca para 11%, com uma incidência maior de vendas de seguros para automóveis e vida. A grande estratégia para ganhar este público é por meio dos chamados microsseguros, que aguardam sua regulamentação ser aprovada na Câmara dos Deputados ainda este ano. O microsseguro nada mais é do que um seguro popular, com valor inferior a R$ 20 mensais, que irá oferecer produtos ligados, principalmente, a casos de acidentes pessoais, residência e perda de renda.
De acordo com Eugênio Liberatori Velasques, presidente da Comissão de Microsseguros e Seguros Populares da CNseg, a expectativa é conquistar 100 milhões de novos contratantes em 20 anos. ''As pessoas correm riscos, têm desejos e medos diferentes. Por isso, teremos que buscar claramente como esta parcela da população quer investir seu dinheiro em seguros. Os produtos devem ser desenhados pelo público e não pelas seguradoras'', avalia.
Velasques comenta que os principais medos das classes C e D são a falta de dinheiro para pagar as contas no final do mês, a violência dos grandes centros urbanos e sofrer de alguma doença grave. ''Temos que pensar até em realidades de vendaval, enchentes, explosões e desmoronamentos numa comunidade, por exemplo. Aliás, não podemos ter problemas na hora de pagar os nossos segurados. Esta briga com o mercado de baixo valor não vale a pena. Primeiro pagamos o sinistro, depois vamos atrás das fraudes'', complementa.
Um dos maiores desafios é atingir este nicho de mercado por meio de canais de distribuição adequados e desburocratizados. Por isso, com o projeto de lei aprovado, o intuito é comercializar tais seguros através de canais eletrônicos como a internet, telefonia celular e caixas bancários, além de um corretor específico de microsseguros, que trabalhará com uma linguagem adequada ao produto. ''Hoje, realizar um seguro no País ainda é muito burocrático, são cerca de 17 passos até que o produto esteja valendo. No Quênia, por exemplo, é possível realizar um microsseguro de agricultura protegida em quatro passos pelo celular'', compara o especialista.
Seguros x PIB
Jorge Hilário Gouvêa Vieira, presidente da CNseg, acredita que o bom momento do mercado de seguros se deve a diversos fatores. ''Além de todo o esforço das seguradoras de crescer, posso dizer que o aumento de renda da classe emergente, que está buscando uma proteção financeira através da previdência, é fundamental. Mesmo com o PIB brasileiro desacelerado, estamos crescendo de forma acentuada'', finaliza Vieira.

mockup