Mercado de rações cresce a 18% ao ano
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sábado, 13 de maio de 2000
Vânia Casado De Curitiba 
As indústrias de ração animal identificaram um novo filão de vendas. Trata-se da alimentação industrializada para cães e gatos, setor que já movimenta US$ 1 bilhão por ano. Parece até que a recessão econômica passou longe das indústrias de ração animal, a ponto de atrair a companhia de grupos multinacionais que também quiseram explorar esse mercado que até agora tem se revelado tentador.
A venda de rações para cães e gatos vem crescendo num rítmo de 18% a 20% ao ano, de 1996 para cá. No ano passado foram vendidas 950 mil toneladas de produtos e esse ano a expectativa é vender 1,15 milhão de toneladas, informa João Prior, secretário executivo da Anfal-Pet (Associação Nacional dos Fabricantes de Alimentos para Animais de Estimação). Prior atribui o aumento nas vendas à mudança de hábito dos proprietários de cães e gatos que substituiram a comida caseira dada aos animais pela industrializada.
Há dois tipos de alimentação caseira, destaca. Uma delas refere-se à sobra de alimentação humana, que é indesejável para os animais porque oferecem um excesso de gordura e sal. A consequência nefasta revela-se nas fezes, mais moles, odor forte e que deixam o ambiente sujo. O outro tipo de alimentação caseira é a recomendada por médicos veterinários que orientam o proprietário dar arroz cozido com legumes e carnes, feito especialmente para os animais. Ocorre que esse tipo de alimentação sai mais caro, exige dedicação de uma pessoa para fazer a comida do animal e não tem a mesma qualidade, lembra.
Por essas razões, a população está deixando definitivamente a alimentação caseira dada aos animais em troca da ração, feita à base de farelos de soja e milho, farinhas de carne e vísceras de frango. Os produtos são balanceadas, contém os nutrientes necessários para os animais, mas cada um apresenta uma formulação diferente, desenvolvida para cada tipo de animal, explica Prior. Ele citou como exemplo, rações especiais para cães com vida mais sedentária, sendo que nesse caso os formulados têm menos proteína, porque os animais não queimam energia. Os cães-atletas que praticam atividades exportivas devem consumidr ração com maior teor de proteína porque fornecem mais energia. Já os cães jovens podem consumir ração com mais cálcio e os adultos com mais ou menos proteína, dependendo do tipo de vida que levam.
Outro motivo que influenciou no aumento da venda de rações foi a entrada desses produtos nas grandes redes de supermercados, que incentivou as compras por parte dos proprietários de animais domésticos. As grandes embalagens foram substituídas por embalagens de pequeno porte, fáceis de transportar. Paralelamente, as indústrias investiram em marketing e novas embalagens para atrair o consumidor que frequenta os supermercados.
As indústrias continuam apostando nesse mercado emergente. A Anfal-Pet estima que existem hoje no país cerca de 25 milhões de cães e 11 milhões de gatos, que representam um potencial de consumo de 2,7 milhões de toneladas por ano. Segundo Prior, se todos esses animais comessem a alimentação média calculada em 300 gramas por dia para cães e 55 gramas por dia para gatos, essa estimativa seria atingida. Ocorre que o consumo atual corresponde apenas 35% desse potencial, daí os investimentos num mercado que tem muito a crescer, mesmo considerando que apenas 50% desses animais possam consumir o volume de ração recomendado.
As estatísticas de consumo apontam que podem ser vendidos pelo menos mais 1,5 milhão de toneladas nos próximos três anos. Daí para frente o crescimento do mercado ficará mais difícil e a indústria poderá articular uma campanha de incentivo à criação de animais de estimação.
O mercado ficou tão atraente a ponto de empresas multinacionais dedicarem divisões inteiras só para a fabricação de ração de pequenos animais. De 96 para cá surgiram novas empresas e as últimas a entrarem nesse nicho de mercado foi a Nestlé e a indústria paranaense Nutriara, de Apucarana. A Procter and Gamble deverá ser a próxima a estrear no mercado brasileiro com a marca Iams, arrisca Prior. A Purina, de Ribeirão Preto que já fabricava rações para grandes animais, criou uma divisão exclusiva para pequenas animais, a Houston Purina. A cisão na linha de fabricação foi uma decisão dos acionistas, disse Prior. O setor de rações para cães e gatos conta hoje com 28 empresas.
Apesar do mercado mais rentável, o custo de produção é maior, quando comparado com a fabricação de ração para grandes animais. O processo industrial de fabricação é feito por extrusão, onde os vegetais e derivados de carne são processados e depois cozidos no vapor. Em seguida, a massa obtida é moldada e secada. Trata-se de um processo mais trabalhoso que a ração para grandes animais, mas o valor agregado é maior e portanto mais lucrativo. O consumidor está pagando a ração para pequenos animais entre R$ 1,00 a R$ 1,70 o quilo, dependendo do tipo de ração.
A explosão nas vendas e a entrada de multinacionais no setor revela que o mercado não vinha sendo bem atendido. O plantel de cães e gatos não cresceu tanto assim e o consumo de ração cresceu dez vezes. Em 1994, cerca de 7% do plantel de pequenos animais comiam alimentação industrializada, enquanto atualmente 40% do animais existentes no plantel estão comendo ração.


