São Paulo - Oportunidades de exportação e um crescente interesse do brasileiro por variedades de pimentas mostram que esse mercado tem um bom espaço para se desenvolver. Apesar de movimentar R$ 80 milhões por ano, a produção nacional ainda é desorganizada e está dividida, em sua maior parte, entre pequenos agricultores.
Para o pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Gilmar Henz, uma das principais oportunidades está no processamento da pimenta. A favor, conta ainda o reconhecimento de suas propriedades funcionais e medicinais. A pimenta facilita a digestão, contém até quatro vezes mais vitamina C do que uma laranja, pode ser utilizada para fabricar pomadas anestésicas, tem betacaroteno (pró-vitamina A) e é quase isenta de calorias e gorduras.
Para desenvolver negócios, Henz dá o exemplo da pimenta vermelha. Dela é possível extrair a oleorresina, um concentrado oleoso que conserva a cor e o sabor picante. Embora de custo elevado (são necessários de 20 a 25 kg de pimenta para obter 1 quilo do óleo), o produto é supervalorizado no mercado doméstico e externo e pode entrar na ração de aves que serão destinadas ao consumo humano. ''As carnes de aves que comem rações cuja composição contém oleorresina ficam com uma cor mais atraente quando abatidas para o consumo'', explica. ''Trata-se de um corante totalmente natural, sem nenhum risco à saúde do consumidor.''
Outro bom exemplo de negócio citado pelo pesquisador da Embrapa, relacionado ao processamento do fruto, está na produção de pimenta malagueta para Tabasco. No Ceará, a malagueta é amassada com sal e vendida em pasta para o México e Estados Unidos, onde é processada para produzir o molho Tabasco, que depois é importado pelo Brasil.
Henz aponta também a pimenta vermelha produzida no cerrado mineiro, que desidratada e transformada em pó dá origem à páprica, apreciada pelos europeus. Segundo ele, grande parte dessa produção já vai para a Europa, onde o produto é utilizado como corante natural na indústria alimentícia e de medicamentos.
O mercado pode crescer no Brasil se a pimenta for melhor explorada como ingrediente, em conservas ou molhos, já que o mais comum ainda é o consumo ''in natura''. Segundo Henz, há a possibilidade de fazer doces com pimenta, como geléias, bolos e chocolates, entre outros. ''Das 1,2 mil espécies que temos registradas de pimenta, apenas 20 são exploradas comercialmente no País'', afirma o pesquisador , referindo-se ao banco de germoplasma da Embrapa, que reúne amostras de pimentas usadas para promover melhoramentos genéticos nos frutos ou para desenvolver novas espécies.
Ciente de que os agricultores brasileiros têm dificuldade para trabalhar com a pimenta por desconhecer as especificidades de seu cultivo, a Embrapa promete lançar, até dezembro, um sistema de produção de pimenta, que explicará como o processo deve ser conduzido. O trabalho ficará disponível na Internet, com acesso livre, e também será impresso. Mais informações podem ser obtidas no site www.cnph.embrapa.br.

mockup