Mercado de pequenos animais cresce 20% ao ano
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quinta-feira, 26 de abril de 2007
Fernanda Mazzini<br>Reportagem Local 
A verticalização das cidades e a vida mais solitária têm contribuído para movimentar o mercado de pequenos animais. O segmento de pets cresce cerca de 20% ao ano - segundo profissionais do setor - e isso ocorre, em parte, em decorrência da mudança do perfil das pessoas. Há alguns anos, os mais visados eram os cães de guarda. Agora, a procura maior é por cachorros de companhia, de menor porte e que têm mais facilidade para se adaptar a pequenos espaços. Dependendo da raça, os preços dos filhotes podem ultrapassar R$ 1,5 mil. Se o animal for destinado a exposições ou competições, o custo sobe para mais de R$ 5 mil.
Para o presidente do Kennel Club de Londrina, Maurício Pinelli, o mercado de cães têm grande potencial de crescimento, embora o número de registros tenha sido menor no ano passado do que em 2005. O registro - ou o pedrigree - é importante porque atesta a ''linhagem'' do animal e traz referências sobre seus pais e avós e os títulos obtidos pelos ascendentes. Na área de abrangência do Kennel Club - que engloba as regiões Norte, Noroeste e parte do Centro -, em média, são registrados cerca de 1,1 mil animais por ano. São cerca de 70 associados, todos criadores.
''O número de registros pode ter caído porque menos criadores estão acasalando animais de maior porte que, geralmente, têm mais filhotes por ninhada'', explica Pinelli. A entidade defende a compra de animais de criadores, geralmente, mais preocupados em fazer o aprimoramento genético da raça. Essa ''preocupação'' em tese garantiria que ao exemplar o máximo das características esperadas para a raça como a cor e o tipo da pelagem, formato das patas, altura, peso ou manchas no peitoral. Já os animais acasalados indevidamente podem desenvolver doenças genéticas com até um ano de idade.
E, neste quesito, os animais estão cada vez mais parecidos com os humanos. Os cães podem ter hidrocefalia, problemas ósseos, cardíacos, de pele, nas articulações e distúrbios de temperamento. ''Se o cachorro for adquirido de um criador e der algum problema, ele vai ressarcir o proprietário. O pedigree do cão será recolhido e o animal será substituído por outro'', garante Fernando Augusto Rossi Freitas, médico-veterinário e criador há 17 anos. Ele cria oito raças: são bernardo, boxer, american stassordshire terrier, lhasa apso, shih tzu, pug e terrier brasileiro (conhecido por fox paulistinha).
Modismo - A criação de cachorros também segue as leis da moda. E a mídia tem papel fundamental neste processo. Se uma determinada raça aparece em um filme de sucesso ou em novelas a procura por filhotes sempre aumenta. E, neste caso, aumenta também o número de criadores. ''Temos os criadores e os 'cachorreiros'. Se há muita gente criando, os filhotes perdem a qualidade porque o interesse de muitos está apenas na comercialização e não no aprimoramento da raça'', observa Maurício Pinelli. Atualmente, as raças em destaque, segundo ele, são golden retriever, west highland white terrier e bernese mountain dog.
Já o pug e o bulldog inglês sempre alcançaram bons preços. A explicação é que as raças são de difícil acasalamento, o nascimento dos filhotes também apresenta dificuldades e a ninhada é pequena. Geralmente, o parto tem que ser feito através de cesárea, o que eleva o custo dos filhotes. ''O doberman foi muito procurado entre os anos 70 e 80 e agora é difícil encontrar; o rottweiler também teve o seu boom no ínicio dos anos 2000 e agora está em baixa. Os modismos ocorrem de tempos em tempos'', comenta o presidente do Kennel Club.
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