O mercado de opções futuras pode ser a saída para os pecuaristas que querem garantir rentabilidade. Na adesão a essa forma de negociação os produtores conseguem fugir das flutuações cambiais, de eventuais problemas sanitários e da volatilidade dos preços dos insumos. Na avaliação do consultor Alexandre Mendonça de Barros, professor de Economia da Fundação Getúlio Vargas, o mercado de opções é mais vantajoso do que o mercado futuro porque, desta forma, os pecuaristas ficam livre dos ajustes diários de preços.
O assunto foi abordado durante a segunda aula de divulgação do curso sobre Bovinocultura de Corte, realizado pela Unopar em parceria com a Geraembryo. ''No mercado futuro, o produtor vai ter que ter fluxo de caixa, o que é um fator limitante. Já no mercado de opções, não tem estes ajustes'', observou o professor. Neste tipo de transação, a negociação é pelo direito de comprar ou vender algo e, para isso, paga-se um prêmio. A diferença é que neste caso a venda não é obrigatória. Se ao final do prazo o preço acertado estiver menor, o vendedor pode não efetivar a venda.
No entanto, para que a adesão não seja comprometida o consultor diz que é fundamental que os pecuaristas conheçam seus custos de produção. Além disso, há um outro fator limitante: o acesso restrito a esse mercado. ''A entrada neste mercado e o acesso deve ser auxiliado pelas cooperativas ou pelas empresas privadas de assistência'', comentou o professor. Aliás, a projeção é que o preço da arroba inicie uma recuperação. Mas, neste caso, ganha mais quem tiver qualidade.
''Os frigoríficos estão vivendo o seu melhor momento, com o aumento da demanda internacional e maior oferta de carne no mercado interno. Mas o mercado é cruel e vai ganhar quem tiver mais qualidade. A margem dos produtores vai aumentar'', avalia Mendonça de Barros. O maior consumo de grãos, puxado principalmente pela agroenergia, deverá provocar uma mudança na fronteira pecuária, que deve ser deslocada com maior intensidade para as regiões de cerrado.
No entanto, na avaliação do consultor, os agropecuaristas devem promover nas suas propriedades uma rotação permanente entre agricultura e pecuária. ''A pecuária dilui os riscos da agricultura, as duas cadeias se complementam'', salienta. Segundo ele, o Brasil é o país que mais tem condições de acomodar as mudanças que vêm ocorrendo no mercado de grãos. ''Temos um sistema interligado de produção, temos área para expansão da fronteira agrícola e a pecuária dilui os riscos dos produtores com a agricultura'', comentou.
Mendonça de Barros lembrou que a maioria das commodities agrícolas ganhou espaço das pastagens mas, principalmente, em locais de baixa produtividade pecuária. ''Em muitas lavouras de cana-de-açúcar a mecanização (da colheita) não será possível devido às áreas íngremes. Nestes locais é possível integrar a cana e a pecuária leiteira, por exemplo'', observou. Ele acrescentou que o agronegócio nacional tem cadeias completas, que vão desde a produção de produtos primários à industrialização. ''O nosso principal problema são as barreiras comerciais. Temos uma economia agrícola aberta, não somos especializados em apenas um ou dois produtos'', disse.

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