Mercado de olho no juro dos EUA
Agência Estado
A reunião do Comitê de Mercado Aberto do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), que ocorre amanhã e depois e deve elevar os juros básicos de 4,75% para 5% ao ano, está no centro das atenções dos mercados financeiros do mundo todo. No caso do Brasil, a decisão do Fed será importante para a definição da trajetória dos juros. Na semana passada, o Comitê de Política Monetária (Copom) foi mais conservador do que o mercado esperava, reduzindo as taxas em apenas um ponto porcentual, de 22% para 21% ao ano, principalmente por conta da expectativa de alta dos juros norte-americanos.
Uma elevação dos juros lá fora poderia provocar uma corrida dos investidores para os T-Bonds, os títulos de longo prazo do Tesouro norte-americano, e uma forte queda da Bolsa de Nova York. Isso afetaria não só o Brasil, como os demais mercados mundiais. Nesse cenário de incertezas, os investidores mais cautelosos encontram melhor opção nos fundos DI, que seguem a variação diária das taxas. As Bolsas, que já são normalmente voláteis, tendem a ficar ainda mais agitadas.
O operador-chefe de Renda Variável do Lloyds Bank, Pedro Thomazoni, diz que o mercado espera que o Fed eleve os juros agora para 5% e em agosto para 5,25%. Se realmente houver apenas um aumento de 0,25 ponto porcentual, ele acredita que o Banco Central (BC) brasileiro poderá utilizar o viés de baixa, e derrubar os juros para algo em torno de 20,50%, o que seria visto como um sinal positivo pelos investidores. A questão é que alguns analistas mais pessimistas projetam uma elevação para 5 25% já nesta reunião do Fed, o que teria repercussão negativa nos mercados.
Thomazoni acha esse segundo cenário menos provável. É por isso que ele diz que os juros internos devem continuar em queda. O que muda é a velocidade de redução, que deve ser mais lenta.
Mas ele não vê muito espaço para a queda dos juros. Se tudo correr bem, ele acredita que as taxas poderão chegar ao fim do ano entre 17% e 18%. Com isso, Thomazoni é mais um especialista a recomendar os fundos DI. Segundo ele, o ganho que se pode ter nas aplicações prefixadas não compensa o risco de uma eventual oscilação dos juros.
Thomazoni vê com bons olhos o investimento em ações, desde que o aplicador tenha perspectiva de longo prazo. Ele entende que o cenário interno não deve apresentar problemas nos próximos meses. O déficit fiscal está sob controle, pelo menos no curto prazo, e a inflação deve ficar em níveis bastante aceitáveis. Ele acredita que, daqui até o fim do ano, a Bolsa paulista pode acumular valorização de 20%, o que garantiria uma remuneração superior à da renda fixa. A questão é que o investidor precisa estar preparado para os solavancos que o mercado de ações deve enfrentar no curto prazo, por conta das incertezas internacionais.





