A indefinição do que será a safra norte-americana tem mexido com o mercado internacional da soja nas últimas semanas. Num sobe e desce, de acordo com o comportamento do clima nos Estados Unidos e os números de relatórios oficiais ou privados que saem a toda hora sobre a safra americana, o mercado brasileiro se mostra ''nervoso'' como preferem classificar os analistas.
Um relatório do departamento americano de agricultura (USDA) que seria divulgado ontem, deve colocar um fim às especulações daqui para frente, até porque o clima nos Estados Unidos, já no final de verão e início de outono, pára de influenciar a produção. O começo da colheita também pode demonstrar qual será, na realidade, a produtividade. Segundo o analista Flávio França Júnior, da Safras & Mercados, este relatório será decisivo para o mercado.
Pelos números oficiais os EUA planejam colher 78,3 milhões de toneladas ante as 65,8 da safra passada. ''Mas tem gente falando em 75 milhões de toneladas ou menos, o que parece um exagero'', afirma França.
Concorrentes diretos, Brasil e Argentina trabalham com uma perspectiva de 115 milhões de toneladas se forem confirmadas as intenções de plantio da nova safra, ante as 89 milhões da safra passada.
De acordo com França, confirmados, os números de produção dos EUA (para cima ou para baixo), não terão grande poder de influência na área da safra brasileira. Ele não acredita que a safra americana vá influenciar numa redução do cultivo.
Segundo pesquisa de intenção de plantio, realizada pela Safras & Mercados em julho, a área de soja deve ser ampliada em média em 9% em relação ao que foi cultivado em 2003/04. No Paraná o crescimento médio, segundo a pesquisa, deverá ficar em 3%.
Segundo o analista a nova safra de soja, que começa a ser implantada a partir de outubro, deverá conviver com preços abaixo das cotações praticadas na safra 2003/2004; com preços próximos de patamares históricos o que em Chicago significa 6 dólares por bushel.
Outra dificuldade será conviver com o aumento nos custos totais de produção entre 25 e 30% em média nesta próxima safra, com destaque para os fertilizantes os chamados ''vilões'' da história que em função de conjuntura internacional, especialmente a influência do preço do petróleo, registram elevações médias que beiram os 50%.
Flávio de França Junior faz palestra na próxima segunda-feira, dia 13, em Londrina, sobre as tendências e perspectivas da safra de verão. Atuando há 17 anos em análise agroeconômica e de mercado de commodities, ele vem à cidade a convite da Fundação Meridional de Apoio à Pesquisa Agropecuária. A palestra sobre ''Mercado de Soja, Milho e Trigo'' começa às 10 horas no Hotel Thomasi. (Av. Tiradentes, 1155). O consultor poderá atender impresa um pouco antes da palestra.

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