O setor de motocicletas comercializou 487.050 unidades no País no primeiro quadrimestre deste ano, volume 1,2% inferior em comparação com igual período de 2013 (493.038). Apenas em abril, a comercialização no varejo foi de 121.744 unidades, ante 140.878 vendidas em igual mês do ano passado, significando um declínio de 13,6%. Os números foram divulgados ontem pela Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo).
O mercado brasileiro de motocicletas cresceu 119% de 2004 a 2008, passando de 878 mil para 1,9 milhão de unidades emplacadas por ano. Mas, em 2009, devido à crise financeira internacional, caiu 16%: para 1,6 milhão de unidades. Houve uma recuperação em 2010 e 2011, mas uma nova queda, desta vez na ordem de 15%, em 2012, para 1,6 milhão de veículos. No ano passado, a Abraciclo registrou uma nova retração, de 7,4%, chegando a 1,5 milhão.
A dificuldade para o mercado voltar a crescer de forma sustentada é atribuída aos bancos, que fecharam as torneiras de financiamento, o que teria obrigado as principais marcas a investirem mais em consórcios.
Gerente comercial da Kallas, loja Honda em Londrina, Valdecir Antonio Scarcelli, conta que, antes da crise, em 2009, o índice de aprovação de negócios pelas financeiras chegou a 70%. E que, hoje, não passa de 50%. "O que tem segurado o mercado são os consórcios", diz ele. O cliente paga em até 72 meses e, se tiver como apresentar lance entre 25% e 40% do valor, consegue levar o veículo na primeira assembleia. "Temos expectativas de melhora. Mas não acho que seja só uma questão de crédito. Penso que o brasileiro está mais cauteloso na hora de comprar", afirma.
Segundo a proprietária da Ciclomobys (loja Suzuki), Sônia Maria Novais, a inadimplência cresceu muito no setor. E, por isso, as financeiras estão obrigando as concessionárias a se tornarem correspondentes bancárias. "A ideia é repartir a responsabilidade pela inadimplência com o comerciante", conta.
Mas ela considera o consórcio o melhor negócio para o cliente. E diz que a Suzuki oferece uma modalidade (para os modelos de baixa cilindrada), pela qual, o comprador leva o veículo na primeira assembleia, caso adiante as cinco primeiras parcelas. "A partir do momento que ele compra o consórcio, se fizer esse adiantamento, leva a moto num período entre 15 dias e 45 dias, dependendo da data da assembleia", explica.

Produção
Segundo a Abraciclo, a produção de motocicletas apresentou queda de 5,1% em abril, com a fabricação de 146.838 unidades, ante 154.672 em igual mês do ano passado. Em relação a março deste ano (123.675 unidades), a produção cresceu 18,7%.
No quadrimestre, as montadoras fabricaram mais motocicletas em relação ao mesmo período do ano passado: 555.788 ante 537.871 unidades, correspondendo a um aumento de 3,3%, "alinhado à estratégia de alavancagem de negócios no período anterior à Copa do Mundo".

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