Arquivo FolhaPara todosCrianças operam computadores na escola: facilidade no uso está puxando as vendas no PaísO mercado brasileiro de microcomputadores deve crescer 25% neste ano e chegar a 1,4 milhão de unidades vendidas, de acordo com estimativas da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee). A popularização da Internet (rede mundial de computadores), a crescente facilidade de uso dos micros e o aumento do poder aquisitivo do consumidor são os principais componentes dessa expansão.
Análise recentemente divulgada pelo Hexabanco - instituição que trabalha com crédito direto ao consumidor (CDC) - mostra que clientes com renda mensal de R$ 1.200,00 têm fôlego financeiro para suportar prestações de até R$ 200,00 por mês. O próprio dono do Hexabanco, Ivan Yung, já montou sua indústria de micros, a Cybertech, e os está financiando em 24 parcelas de R$ 160,00.
O diretor do Grupo de Informática da Abinee, Fernando Loureiro (também dirigente da Compaq), afirma que as projeções do setor indicam que as vendas de microcomputadores no País vão evoluir a taxas médias de 20% ao ano. ‘‘Trata-se de um crescimento fantástico’’, diz ‘‘Mas o Brasil precisa ter uma escala de produção maior para poder concorrer em pé de igualdade no mercado internacional.’’
Segundo Loureiro, foram vendidos no ano passado mais de 70 milhões de micros no mundo, 39% desse volume somente nos Estados Unidos (27,3 milhões). Isso explica em parte, diz o executivo, por que os computadores brasileiros custam de 26% a 30% mais que os norte-americanos. ‘‘Há outros fatores, como a complexa estrutura tributária brasileira, que encarece nossos produtos.’’
Ainda assim, afirma Loureiro, os micros produzidos no País conseguem ser um pouco mais baratos que os dos principais fabricantes europeus. Os entraves tributários, em sua opinião, explicam a expansão dos chamados micros sem marca, que no ano passado representaram metade das vendas no Brasil. ‘‘Essas empresas, em geral, não oferecem muitos serviços de pós-venda e assistência técnica, e isso tem influência no preço final.’’
Loureiro conta que uma das formas de aumentar a escala de produção brasileira é aumentar a exportação de micros. Os principais fabricantes de computadores estão instalados no Brasil e praticamente nenhum deles tem fábrica em outros países da América do Sul.

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