O mercado de imóveis de Londrina não foi afetado pela crise da Encol, segundo construtores ouvidos ontem pela Folha. O presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon), Atsushi Yoshii, diz que as vendas estão normais, mas afirma que o setor terá que se tornar ainda mais transparente agora.
‘‘As construtoras vão ter que mostrar credibilidade’’, diz. Ele recomenda que os interessados em adquirir imóveis procurem tomar informações sobre a empresa com que negociam. ‘‘Antes de comprar, é preciso saber se a empresa entrega os empreendimentos em dia, se é idônea, se já teve algum tipo de problema na praça’’.
Yoshii conta que sempre achou estranho o comportamento da Encol, que permutava apartamentos por gado, equipamentos de segurança, passagens de aviões, botas, bonês e até por pães. E conta que, ao entrar no mercado londrinense há cerca de cinco anos, a Encol inflacionou o índice usado nas trocas de terrenos por área construída na Cidade. ‘‘Antes, o índice de troca variava de 10% a 12%. A Encol começou a trabalhar com 15% a 20%, ou seja, ao negociar um terreno onde seria construído um prédio com 20 apartamentos, a empresa chegava a dar quatro unidades ao proprietário’’.
O diretor regional da Plaenge em Londrina, Fernando Fabiano, diz que a empresa não sentiu nenhum reflexo negativo por causa da Encol até agora. A Plaenge está em fase final de comercialização de dois empreendimentos com entregas marcadas para junho e novembro de 98. ‘‘O número de visitas aos nossos plantões continua o mesmo’’, diz Fabiano. Segundo ele, 85% dos 70 apartamentos já foram vendidos.
Fabiano acredita que o mercado ficou mais seletivo. ‘‘Os compradores buscam mais informações, querem saber se a construtora entrega no prazo e se tem tradição no mercado. Mas isso é muito bom para as empresas que trabalham com seriedade’’, diz.
Com um empreendimento marcado para ser lançado no próximo mês, o proprietário da Quadra, Luiz Carlos Moro Pires, diz que resolveu atrasar o lançamento da obra por pelo menos 30 dias por causa das notícias sobre a Encol. Pires diz que, depois de fechar ‘‘ótimos’’ negócios em maio e junho, quando vendeu 60 apartamentos, houve uma queda de 40% em julho e agosto. ‘‘Mas isso é histórico. Normalmente o mercado voltaria ao normal em setembro. Neste ano, por causa do problema da Encol, a tendência é que os interessados se retraiam. Vamos ter que esperar a poeira abaixar. Só que, na sequência, as boas empresas serão beneficiadas’’.(Cláudia Lopes)

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