O encerramento da 10 edição da Comdex, uma das mais importantes feiras de Tecnologia de Informação do mundo, apontou os rumos que o mercado de informática deve seguir nos próximos anos. Escaldados pelas recentes quedas de empresas de porte como a Microsoft, o foco da feira que terminou na semana passada em São Paulo deixou de ser as novidades nas áreas de software e tecnologia para a Internet.
As grandes vedetes da Comdex foram os periféricos - aparelhos como impressoras, câmeras digitais e scanners foram avaliados de perto por compradores e vendedores do Brasil e do exterior. O desenvolvimento de tecnologias para transmissões de dados ''wireless'', ou sem fio, também fizeram as empresas deixarem um pouco de lado as novidades para o PC para pensar em aplicações que não necessitem de tanta interação com o computador.
Segundo o diretor comercial da Epson do Brasil, José Vasquez, as empresas ainda estão agindo com prudência antes de lançar novos produtos no mercado. ''De geladeiras com acesso à Internet até impressoras que podem ser penduradas na parede como quadros, tudo está sendo desenvolvido. Mas todos estão cautelosos para verificar o que o mercado realmente demanda. Lançar produtos que não serão vendidos é um caminho rápido para a falência'', afirma Vasquez.
A aposta da Epson para os próximos anos é o crescimento da procura por equipamentos que trabalham com imagens, puxado pelo barateamento das câmeras digitais e o acesso à imagens da Internet. A empresa lançou em agosto um pacote de produtos voltado para esse nicho de mercado, com quatro impressoras com jato de tinta, uma câmera fotográfica digital e um projetor. ''Metade da população brasileira tem menos de 30 anos. São pessoas que nasceram no mundo das cores, e é muito exigente com a qualidade da imagem. Nosso objetivo agora é criar tecnologia para essa geração'', explica Vasquez.
O carro-chefe dos lançamentos da empresa é a impressora Epson Stylus Photo 785EPX, que funciona com cartuchos de jato de tinta de seis cores. Voltada para fotógrafos amadores e profissionais, o modelo dispensa o computador para imprimir fotografias - o usuário pode tirar o cartão de memória da câmera digital e inserir diretamente na impressora. Um visor acoplado permite a escolha da foto a ser impressa, e oferece algumas opções simples para edição da imagem. A 785EPX permite a impressão direta em papel fotográfico.
Outra novidade desenvolvida pela Epson é o sistema PIM - Print Image Matching. O PIM permite que os dados da imagem capturada pela câmera sejam transmitidos diretamente para a impressora, desde que os dois dispositivos utilizem o sistema. A intenção é eliminar as distorções entre o que é fotografado e a imagem final, comuns devido à interferência causadas por alguns softwares. Além da Epson, as novas câmeras da Pentax, Nikon, Olympus e Sony já utilizam essa tecnologia.
O objetivo da Epson com os novos lançamentos é aumentar sua participação no mercado de impressoras brasileiro, que deve crescer cerca de 15% no próximo ano. A companhia já detém mais de 80% das vendas de matriciais, mas perde para a Hewlett-Packard no setor de jato de tinta e laser. Atualmente, cerca de 2,5 milhões de impressoras são vendidas por ano no Brasil.

O repórter viajou a convite da Epson.

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