O primeiro medicamento genérico chegou ao consumidor brasileiro em março de 2000. Pioneira, a substância dipirona abriu caminho para a transformação de um mercado, tanto pelo aspecto comportamental quanto econômico. Novas técnicas e padrões passaram a ser adotados pela indústria farmacêutica, que tem obtido crescimento de 25% ao ano no segmento. Do ano 2000 até março de 2007, o número de medicamentos genéricos saltou de 91 para 1.550, segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias de Medicamentos - Pró Genéricos.
Levantamento feito em Londrina pelo instituto Inbrape Pesquisas e Ímpar (Inteligência de Marketing), para a FOLHA, apontou que a popularidade dos genéricos saltou entre os anos 2002 e 2007. Conforme a pesquisa - realizada nos mesmos moldes em 2002, 2004 e 2007 - cerca de 15,9% da população conhecia totalmente o termo ''medicamento genérico'', em 2002. Na pesquisa seguinte, a porcentagem foi de 16,3% e, em 2007, saltou para 46,4%.
No primeiro levantamento, 58,7% dos entrevistados conheciam parcialmente e, no último, 47,4%. Os que não conheciam absolutamente nada sobre o termo eram 25,4%, em 2002, e apenas 6% em 2007. Na análise do vice-presidente da Pró Genéricos, Odnir Sinotti, a popularidade dos produtos aumentou principalmente porque, hoje, a maioria das doenças podem ser tratadas com genéricos. Além disso, os usuários perceberam a eficiência dos medicamentos. ''Alguns poucos começaram a usar, perceberam que funcionava e indicaram para outras pessoas. Foi um efeito em cadeia'', sentenciou ele.
A justificativa de Sinotti, por sua vez, é embasada pela pesquisa do Inbrape, que mostrou a evolução de compra dos consumidores. Em 2004, 48,3% dos entrevistados disseram que tinham o costume de comprar medicamentos genéricos e, em 2007, o número alcançou 76% deles. E ainda, os que acreditam que os genéricos têm o mesmo resultado dos medicamentos de marca, passou de 76%, em 2002, 79%, em 2004, para 82%, no último levantamento.
Segundo Sinotti, outro fator que impulsionou o setor foi que desde 2000, os médicos do serviço público de saúde têm que prescrever os genéricos - quando existir o medicamento para determinada patologia - seguindo normas da legislação. Ele ressaltou também que os números registrados em Londrina são semelhantes aos do restante do País.
Outro dado interessante apresentado na pesquisa de 2007 é que o termo genérico tem mais popularidade entre as pessoas de classes com renda mais alta: quase 100%. Enquanto nas classes mais baixas, a porcentagem cai para 86%. A confiança do medicamento genérico também fica mais evidente nas classes A e B: 89,5% dos entrevistados acreditam que os genéricos têm o mesmo efeito dos de marca. Na classe C, o número cai para 80% e nas classes D e E fica em 75%.
Para Sinotti, há vários fatores que contribuíram para a definição desse cenário, entre eles o acesso à informação. Conforme ele, apesar de o genérico ter sido desenvolvido para oferecer uma redução de custo para a população mais pobre, quem se beneficiou da iniciativa logo no início foi a classe com melhores recursos, por ter mais acesso à informação.
''O resultado está diretamente ligado à informação, à capacidade de tratar as novidades e à formação dos juizos de valor de determinado produto. E a classe mais alta tem mais condições de dar esse tratamento'', acrescentou o vice-presidente da Pró Genéricos. Ele destacou, entretanto, que a popularidade entre as classes mais baixas também é muito positiva.

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