Embalado pela onda de alimentos mais saudáveis que atinge grande parte dos brasileiros, o mercado de produtos diet e light está em ampla expansão. Enquanto a indústria de alimentos tradicionais deve fechar o ano com um crescimento real de 3% a 3,2% - menor do que o registrado no ano passado - o segmento diet/light cresce entre 25% e 30% ao ano. Levantamentos no varejo também indicam que os supermercados que destinam gôndolas específicas para esses itens têm um faturamento médio 11% superior ao dos estabelecimentos que não contam com esse espaço.
Segundo a Associação das Indústrias Brasileiras de Alimentos Diet, para Fins Especiais e Alimentos Suplementares (Abiadsa), esse resultado é consequência do próprio crescimento orgânico do mercado e da migração do consumo dos alimentos tradicionais para os diet. ''Hoje quase todos os produtos têm a sua extensão diet ou light. Esse é um caminho irreversível porque hoje já contamos com produtos até então inimagináveis em versões menos calóricas como leite condensado, pão e manteiga'', afirmou Carlos Eduardo Gouvêa, presidente da Abiadsa.
Os resultados também aparecem no faturamento das empresas, que fecharam o ano passado com um saldo positivo de US$ 3 bilhões. Em 1990, esse lucro foi de US$ 160 milhões. Os investimentos das indústrias em novas formulações e novos produtos estão surtindo o efeito desejado e, de fato, parece que a imensa variedade de produtos diet e light vem seduzindo os consumidores. Em Londrina, por exemplo, os consumidores já estão bastante acostumados a comprar esses tipos de produtos.
A secretária Leila Aparecida dos Santos, por exemplo, disse que gosta mais do sabor dos refrigerantes light e diet do que o dos tradicionais. A sua família também costuma consumir leite desnatado porque uma de suas irmãs é adepta da dieta. A estagiária de Serviço Social Rosângela Fidelis também prefere consumir refrigerantes e sucos diet e light. ''Tomo mais pelo sabor, que é mais doce mas compro também pela qualidade, que é mais saudável'', afirmou. Outro produto que ela costuma consumir é leite desnatado.
Já o auxiliar administrativo Henrique Quirino diz que passou a comprar produtos light depois de completar 25 anos de idade. ''Fiquei mais preocupado porque o organismo já não queima tanta caloria. Compro os produtos light porque têm menos açúcar'', comentou. Ele acrescentou que só toma café com adoçante e que também cortou os refrigerantes de sua dieta. Quirino toma só sucos light ou água. ''Estou mais preocupado com a saúde. O custo maior não vou ver agora, é um benefício a longo prazo'', avaliou.
Já o funcionário público Laércio Pradal diz que sua esposa cortou o açúcar da casa e passou a usar somente adoçantes. ''Mas acho que deveria comprar mais produtos light, mas não faço isso porque não é um hábito'', observou. A proprietária de um restaurante Iris Ronqui, por sua vez, disse compra produtos diet e light somente algumas vezes. ''O preço atrapalha, mas compro de vez em quando margarina, iogurte e leite desnatado. Gostaria de consumir mais não porque não engorda mas porque é mais saudável'', afirmou.

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