Mercado de capitais- Eu aposto mais no mercado de capitais do que a direção anterior do banco. A direção anterior lançou o PIBB (Papéis Índice Brasil Bovespa) e o interrompeu em R$ 600 milhões, o que é uma mixaria para o mercado brasileiro. Vamos contribuir para o desenvolvimento de debêntures. Nos Estados Unidos, 30% de todo o mercado de crédito é constituído de debêntures e recebíveis. No Brasil deve ser 1%. Não há nem R$ 20 bilhões de debêntures no País o que, perto do nosso PIB, não é nada. Vamos padronizar as debêntures. O problema é que hoje lança-se uma debênture de seis anos e o papel fica lá, parado. Paga mais, mas quem quer ficar no Brasil com investimento de 6, 8, 10 anos? Estamos mal acostumados a ter liquidez imediata. Se for criado um mercado secundário, ela (debênture) pode ser transacionada. Mas, para isso, tem de estar padronizada. O banco vai desenvolver normas e também subscrever as debêntures das empresas. Faremos operações de subscrições num volume maior do que o de agora, com debêntures conversíveis, porque o BNDES quer participar das empresas. É uma outra modalidade de financiamento.
Novos produtos - O BNDES vai vender um novo PIBB muito maior do que aquele que foi lançado, também voltado para o pequeno investidor. Teremos vários fundos, vários instrumentos voltados para cada setor, produto para pequena empresa, média empresa, setor siderúrgico. Um dos instrumentos vai estimular o mercado de debêntures, o outro de recebíveis. O que queremos é que esse mercado se prolifere. O mercado de debêntures barateia o capital. E os bancos não vão ficar assistindo, vão entrar também nesse novo mercado, como ocorreu em outros países. Isso é estímulo da produção. Faz com que a poupança seja transferida de operações meramente financeiras para operações produtivas.
Spread bancário - Vamos influenciar a redução do spread bancário de um modo geral no retorno ao mercado de capitais, à medida em que vamos estimular a emissão de debêntures e, portanto, a participação no capital das empresas. O mercado de debêntures reduz a intermediação financeira. Estou formando uma equipe específica para esta área. As empresas poderão colocar debêntures em vez de pegar empréstimo no banco. O que vai acontecer é que os bancos também vão entrar nessa e, com isso, reduzir mais suas taxas.
Brasil Ferrovias - O acordo está na reta final, quase chegando na estação. Não posso revelar cifras. Nas próximas duas semanas isso será anunciado pelo presidente Lula. Não tem nenhum empecilho. A operação está redonda. Não há problemas de contratos. Posso dizer que o banco ficará numa posição minoritária na holding. Não terá 51% das ações. O BNDES não está exigindo que os fundos (de pensão, Previ e Funcef) se afastem, mas sempre exige governança corporativa. Então, poderá ser contratada uma consultoria ou coisa do gênero. Tudo será anunciado conjuntamente, acredito que no início de maio. Essas ferrovias serão recuperadas. Haverá um plano de investimento para toda ela. O BNDES e os dois fundos de pensão que a controlam injetarão dinheiro novo.
Banco hospital - Esta operação da Brasil Ferrovias não servirá de modelo. Neste caso, o governo não entrou numa empresa em dificuldades. O BNDES já tem lá (na BR Ferrovias) um crédito de R$ 1,5 bilhão e estava com risco de perder dinheiro. O objetivo principal é fazer com que as ferrovias do País possam responder às necessidades econômicas. Outras ferrovias já têm outra dinâmica, estão na mão de grupos privados eficientes, que já recuperaram ou que já tinham uma ferrovia moderna. Esta ferrovia tinha problemas pela forma com que foi concessionada. Estamos simplesmente resolvendo. Mas, o banco não fará disso um modelo. Não é uma volta ao banco hospital, mas uma operação de resgate de um recurso público. Não tem hospital no BNDES. O banco não pode financiar casos de fracasso porque segue regras muito restritivas para a concessão de crédito.
Varig - Os representantes da Varig não estiveram comigo, estiveram com os técnicos (do banco). O que posso dizer é que a situação é complexa, mas tem solução. Mas não cabe ao BNDES dar a solução. O banco tem de ser chamado para fazer algum financiamento, mas não para a Varig, que não pode receber dinheiro do BNDES porque deve ter inadimplência com a Receita Federal, etc. Está vedado. O BNDES não pode ter esse tipo de participação.
Meta de R$ 60 bilhões - O BNDES nunca emprestou tanto quanto está emprestando agora. Estabelecemos uma meta muito ambiciosa. Em 2005 vamos fazer o maior orçamento da história do banco, que pode não chegar a R$ 60 bilhões. O compromisso do BNDES é viabilizar o crescimento sustentado do País. Se o exportador está conseguindo linha de crédito lá fora, o BNDES não está precisando emprestar. Houve frustração nesse primeiro trimestre no BNDES com relação ao setor elétrico e às linhas de exportação, porque a nossa taxa ficou mais cara do que a que os exportadores estão conseguindo lá fora. Fizemos um pequeno ajuste numa parte das linhas de pré-embarque reduzindo 0 5 ponto porcentual. Mas, não estou preocupado. Se o setor privado dá financiamento, estou satisfeito.
Desaquecimento - Acho que vamos terminar o ano com um bom crescimento, em torno de 4%. Esse desaquecimento de agora é momentâneo e as condições da economia brasileira continuam muito favoráveis: além das condições macroeconômicas, temos também o fortalecimento do mercado interno, fenômeno que ocorreu a partir do segundo semestre do ano passado, a partir do aumento da massa salarial.

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