Mercado de commodities pesa diretamente no bolso
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 22 de junho de 2011
Silvana Leão <br> Reportagem Local 
A FOLHA divulgou no último final de semana dados de levantamento feito pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) sobre o aumento generalizado dos preços das commodities agrícolas e como as constantes altas influenciam diretamente a vida dos brasileiros. Segundo a FAO, os valores devem continuar elevados e voláteis em 2012, representando uma 'ameaça' para países pobres, que terão de gastar até um terço mais com as importações neste ano.
O diretor de pesquisa do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), Julio Suzuki, explicou que a definição de preços das commodities se dá no mercado internacional, mas que o efeito dos constantes aumentos é quase imediato nos preços internos. ''Há um impacto inflacionário para o nosso consumidor final'', argumentou.
Segundo Suzuki, quem puxa os preços para cima são os países emergentes, principalmente a China, que ainda possui um baixo consumo per capita de determinados produtos, colaborando para que sejam grandes as perspectivas de crescimento de mercado. Ele lembrou que, por um lado, o Brasil se beneficia dos aumentos nos preços das commodities à medida em que tem maior margem de ganho nas vendas de produtos e gera um impacto positivo na balança de pagamentos, mas por outro há os reflexos para os consumidores. Para Suzuki, não há, a curto prazo, perspectivas de grandes mudanças neste quadro, pois países como a China devem continuar crescendo.
Em Londrina, levantamento feito pelo economista do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) e professor universitário Flávio Oliveira dos Santos mostrou que nos últimos 12 meses o alimento que mais pesou no orçamento das famílias foi um item diretamente ligado às transações de commodities: o óleo de soja, que subiu 36,82% no período. Em seguida veio outro produto ligado a este mercado, o açúcar, que teve aumento de 31,89% nas prateleiras dos supermercados.


