A festa pode até ser mais modesta, mas não deixa de acontecer. Expositores da 13ª Noivas Fair, que terminou ontem no Iate Clube de Londrina, afirmam que os negócios seguem em alta. Ninguém reclama da crise. Não se sabe exatamente quanto os casamentos geram de renda no País, mas, segundo a Associação Brasileira de Eventos (Abrafesta), o setor inteiro movimentou R$ 16,8 bilhões em 2014. Os noivos não gostam de falar quanto gastam nas festas. Mas quem trabalha no setor diz que as mais chiques passam de R$ 1 milhão.
A organizadora da feira de Londrina, Mity Shiroma, conta que os casamentos envolvem cerca de 20 fornecedores, desde a decoração, lembranças, roupa, som e luz, até a locação do espaço. "As pessoas não deixam de celebrar os momentos especiais. Na crise, elas podem diminuir o número de convidados, enxugam o orçamento, mas realizam a festa", garante.
Ontem à tarde, Mity ainda não havia feito balanço do evento, mas esperava ao menos igualar os números do ano passado, quando segundo ela, foram fechados mais de mil contratos.
"A crise nos obriga a ser mais criativo e a trabalhar mais, mas não há queda no número de eventos", afirma Tânia Galvão, da Moments Decor. Há 25 anos no mercado, ela diz ver na crise uma oportunidade de "atender melhor". De acordo com a empresária uma decoração vai R$ 35 mil a R$ 100 mil, sendo que a maior parte desses valores são consumidos nos enfeites da mesa de doce e no espaço para fotografia. "Essa mesa tem mais de 15 mil flores", afirma ela apontando para uma imagem de um livro de decoração.
O estilista Eduardo Calejon diz ter uma clientela bem diversificada e que seus vestidos custam de R$ 2 a R$ 45 mil. Ele também garante que a crise tem pouco impacto no setor, pelo menos por enquanto. "Os noivos planejam a festa com anos de antecedência. Então, se a gente for sentir algum efeito, será lá em 2018", alega.

MÃO NA MASSA
Para garantir que as pessoas não deixem de investir nas festas, os organizadores estão divulgando o conceito ‘faça você mesmo’, com o qual, segundo eles, é possível reduzir boa parte do orçamento da decoração. "Os próprios noivos e suas famílias podem fazer coisas muito bonitas, como vasos para mesa, lembranças para os convidados", afirma Ana Perdigão, da MC Assessoria. Com alguma habilidade manual e senso estético, é possível fazer o próprio buquê da noiva. "Dá para gastar R$ 40 a R$ 50 num buquê que custará R$ 100 se for comprado na floricultura", conta.
Luciene Lombardi, da Acácia Flor, aposta no Boho Chic, estilo "meio hippie, meio cigano, com estampas coloridas", por meio do qual é possível utilizar muito material reciclado, além de móveis e artesanato da própria família na decoração da festa. "A pessoa leva um móvel da casa da avó, um tricô da bisavó", exemplifica. Embora seja uma "tendência" atual, a empresária afirma que muitos utilizam o Boho Chic porque ele permite gastar menos com a decoração. "Dá para fazer uma boa economia."
O preparador físico Arthur Haddad e a médica Fernanda Bett, que vão se casar dia 14 de janeiro de 2017, foram ao evento para "ver alguns detalhes que faltam". "Já temos quase tudo pronto", afirma Fernanda. Mas, a plotagem do chão da festa, ainda não havia sido definido. "Já faz mais de um ano que estamos preparando o casamento." Eles dizem ainda não ter somado o custo total da festa, mas acreditam que, devido à crise, ficou mais fácil negociar. "Tem muito mais opções", acredita ela.

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