O mercado brasileiro de cartões de crédito e débito movimentou mais de R$ 846 bilhões em 2013, crescimento de 16,9% em relação ao ano anterior. As compras no débito foram maioria em número, totalizando 4,7 bilhões de operações, mas ficaram bem atrás em faturamento – R$ 292 bilhões contra R$ 554 bilhões das 4,4 bilhões de operações no crédito. Os números ainda são previsões da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs), que espera confirmar o balanço até o início deste mês.
Desde 2007, quando a Abecs iniciou o monitoramento do mercado, o crescimento acumulado é de 127%. Segundo Mário Ferreira Neto, diretor da associação, a expansão se deve a três fatores, dentre eles, uma mudança cultural nos meios de pagamento. "Com a melhoria de renda da população e o bom momento da economia, as pessoas foram incluídas, tendo mais acesso aos serviços financeiros", explica, "aliado a isso, as empresas do comércio apostaram no cartão como meio de pagamento importante e seguro", ressalta o diretor.
Nem mesmo os juros cobrados do consumidor em caso de pagamento parcial da fatura - 192,94% ao ano, em média, segundo a Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac) - têm impedido a maior adesão ao "dinheiro de plástico". Ferreira diz que vale a pena pesquisar. "Hoje, no Brasil, existe uma série de opções de emissores de cartão que têm variação bem grande de juros. Também vale destacar que o cartão de crédito, pela forma rápida e ágil de operação, tem os juros um pouco maiores porque não exige garantias do cliente", defende.
Para 2014, a expectativa da Abecs é de que o crescimento do mercado de cartões se equipare ao alcançado em 2013, ficando em torno de 17%. No entanto, em um ano atípico, de Copa do Mundo e eleições, ainda há incerteza quanto ao desempenho dos setores produtivos. "O desempenho do varejo é importante para a gente e ainda não está muito claro como será", explica.

Substituição
O valor médio gasto pelos brasileiros em cada operação de débito foi de R$ 71 em 2013; nos cartões de crédito, o valor sobe para R$ 317. "O cartão de débito é usado para compras menores. Se pudesse fazer uma comparação direta, diria que o crédito vem substituindo o cheque e o débito, o dinheiro", afirma Ferreira.
Na opinião do diretor, a alavancagem do mercado de cartões faz parte da evolução do setor financeiro, uma vez que as operações com cartão são bem mais seguras e confiáveis. Com isso, estamos vendo o fim de algumas outras formas de pagamento, como o cheque. "Além do problema que você tem, de necessidade de consulta, o cheque acarreta um custo adicional para o comerciante, o que o tornou obsoleto. Até a indústria está introduzindo mais serviços com cartão. A evolução do meio de pagamento é natural", afirma.
Sendo assim, as cédulas também podem, um dia, tornarem-se obsoletas? "O próximo passo é a substituição do dinheiro. Hoje, a gente já carrega muito pouco na carteira, por segurança. No entanto, 65% dos pagamentos ainda são feitos em cash, número que vai cair muito com o uso do cartão de débito", estima.

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