Mercado de carros deve crescer 5%
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 17 de agosto de 2012
Nelson Bortolin <br>Reportagem Local 
São Paulo - Com isenção de Imposto sobre Produtos Industralizados (IPI) e crédito farto, não há crise que segure as vendas de carros zero quilômetro. Este mês deverá ser o melhor agosto da história do mercado. E, mantidas as condições atuais, o número de emplacamentos em 2012 deverá ser 5% maior que o do ano passado. As informações foram divulgadas ontem durante coletiva de imprensa no XXII Congresso da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), em São Paulo. No acumulado do ano - até a primeira quinzena de agosto -, foram vendidos 1.690.539 carros contra 1.602.495 no mesmo período de 2011. A variação é de 5,49%.
O presidente da Fenabrave, o londrinense Flávio Meneghetti, conta com a prorrogação do IPI zero para veículos 1.0 até o fim do ano. Oficialmente, o benefício concedido em maio se encerra no final deste mês. Mas, entre os empresários do setor, há uma ''quase certeza'' quanto à extensão da medida até dezembro.
''O IPI reduzido proporcionou uma queda de 14% no valor das parcelas dos veículos. Isso fez com que a compra coubesse no orçamento das famílias'', disse Meneghetti. Ele lembrou que a indústria brasileira está com desempenho negativo de 2% em relação ao ano passado e, não fosse, o setor automobilístico, a situação seria muito pior. ''O peso do nosso setor no total da indústria é de 21%. Acho que o governo não vai correr o risco de suspender a medida (isenção do imposto)'', justificou.
Outro fator importante que garantiu o reaquecimento do mercado de carros novos foram as ''mudanças de critérios'' dos bancos, que melhoraram a concessão de crédito. ''Até maio, o índice de aprovação dos negócios girava em torno de 35% a 40%. Agora está numa média de 55%'', afirmou.
Em baixa
Se as concessionárias de carros não têm motivos para reclamar, os fabricantes e revendedores de caminhões e motocicletas estão numa situação muito difícil. Até a primeira quinzena deste mês, haviam sido vendidos 85.425 caminhões contra 106.157 no mesmo período de 2012 - retração de 19,53%. A mesma comparação no caso das motocicletas é de 1.053.815 para 1.162.411 - redução de 9,34%.
A queda, no caso dos caminhões, está relacionada a três fatores. O primeiro é que, devido à entrada em vigor de uma legislação ambiental que tornou os veículos mais caros neste ano, os frotistas fizeram antecipações de compras em 2011.
Outro motivo é que a nova legislação exigiu também um novo óleo diesel - o S50. Transportadores ficaram receosos de não encontrar o combustível no início do ano. E, por isso, deixaram de comprar os novos caminhões.
Mas, segundo a Fenabrave, o principal fator que segura o mercado de caminhões é o momento econômico. ''O que aquece as vendas de caminhões é o PIB'', disse Meneghetti. Como a previsão é de que o Produto Interno Bruto de 2012 crescerá apenas 1,5%, não se espera muita coisa deste mercado.
Já com relação às motocicletas, o problema, segundo a Fenabrave, são as restrições que os bancos estão impondo na hora de conceder créditos. ''Sabemos que há pequenas concessionárias de motos fechando por todo o País'', disse o empresário. Ele afirmou que está negociando com a Caixa Econômica Federal alguma medida que possa ajudar este mercado.
Reciclagem
Flávio Meneghetti afirmou também, durante a coletiva, que a Fenabrave está discutindo com o governo federal um projeto de renovação da frota com reciclagem de veículos antigos. ''Só na cidade de São Paulo, há uma estimativa de 25 mil carros velhos abandonados nas ruas. Não se trata de uma manobra para vender mais carros. É questão de segurança no trânsito e ambiental.''
(*) O repórter viajou a São Paulo a convite da organização do evento.


