Mercado de capitais quer a suspensão do pacote
Agência Estado
Do Rio de Janeiro
Representantes do mercado de capitais já começam a se organizar para negociar com o governo a suspensão de medidas como a taxação das aplicações em renda variável, prevista para vigorar a partir de 2002. Vamos ao governo, ao ministro e iríamos à madre Teresa de Calcutá, se ela estivesse viva, disse o presidente da Bolsa de Valores de São Paulo, Alfredo Rizkallah. Estamos tornando cada vez mais difícil o desenvolvimento do mercado de ações e o Brasil está abrindo mão do único instrumento viável para financiar o seu
desenvolvimento, disse o presidente.
Rizkallah qualificou de um equívoco a elevação da alíquota do Imposto de Renda incidente sobre lucros obtidos com a venda de ações e defendeu a aprovação urgente da reforma tributária como alternativa aos remendos feitos pelo governo.
O presidente da Associação Brasileira das Companhias Abertas, Alfried Plöger, reeleito para o cargo e empossado ontem, comentou que não haverá mais atrativo para o investimento em ações contra as aplicações em renda fixa e previu uma fuga dos negócios para bolsas de valores em outros países.
Até a bolsa do México é mais exuberante do que todas as brasileiras juntas, disse Plöger, lembrando que o valor movimentado em bolsa no Brasil é de R$ 150 bilhões. Estamos muito preocupados com a palavra transitória com a qual o governo classifica essas medidas, afirmou, criticando os juros estratosféricos que são adotados no País.
O presidente da Bolsa de Valores do Rio de Janeiro (BVRJ), Carlos Reis, criticou a decisão do governo de taxar de modo igual as operações de renda fixa e renda variável. Segundo ele, isso vai prejudicar o mercado brasileiro de ações e é injusto, pois o investidor corre um risco maior ao aplicar nas bolsas do que na renda fixa, em uma clara desvantagem para o mercado de ações brasileiro.
Reis acredita que medidas como as anunciadas anteontem pelo governo não serão concretizadas. Até 2002, quando elas entram em vigor, explicou, o governo já terá equacionado seus problemas e não precisará lançar mão dessas mudanças. O presidente da Bolsa do Rio de Janeiro diz que a tributação pode afastar o investidor estrangeiro do País, como já indicou o fraco volume negociado nas bolsas de valores ontem de manhã.





