A conjuntura favorável - estabilidade econômica e política, queda dos juros e crédito farto - aliado à retomada dos bons resultados do agronegócio aqueceram o mercado de veículos comerciais. Neste ano, a demanda foi tão forte que nem mesmo as montadoras estavam preparadas para atender os pedidos. Este cenário resultou em fila de espera para comprar caminhões e vendas recordes. A projeção da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) é de um crescimento nas vendas de 29% neste ano, se comparado com 2006.
Entre janeiro e agosto os licenciamentos de caminhões cresceram 28,3%, segundo a Anfavea. No primeiro semestre, a média mensal foi de 7,3 mil unidades vendidas, enquanto em julho e agosto essa média saltou para 9 mil caminhões. A estimativa é terminar o ano com 98 mil unidades comercializadas, ante um volume de 76 mil registrados em 2006. A Volkswagen, por exemplo, classifica 2007 como o melhor ano para montadora no País porque foi registrado o maior índice de crescimento da marca. Nos primeiros nove meses do ano, a montadora teve um acréscimo nas vendas de 31%, comparando com o mesmo período de 2006.
Para atender a demanda, a Volks ampliou em 50% a capacidade produtiva da indústria e gerou mais 4 mil empregos. A Mercedes-Benz também está com uma projeção de crescimento de 25% com relação ao ano passado. Somente no segmento de veículos pesados o aumento nas vendas foi de 70%. A Mercedes também foi a montadora que mais exportou neste ano, com um aumento de 25% nas vendas com relação a 2006. Em 2007, a comercialização de motores atingiu mais de 100 mil unidades. Já a Volvo deve alcançar neste ano a marca de 10 mil caminhões comercializados.
As vendas de veículos pesados da indústria cresceram cerca de 23%, enquanto as de semi-pesados aumentaram 6%. A empresa, sediada em Curitiba, já investiu cerca de R$ 110 milhões e contratou cerca de 2 mil funcionários. A indústria produz 1 caminhão a cada 15 minutos e está funcionando em 3 turnos, 24 horas por dia. O foco da Volvo é produzir caminhões com os melhores níveis de segurança do mercado e, por isso, os lançamentos ganharam bafômetro, sensores de distância e dispositivos que impedem que o caminhão se desloque para outra pista das rodovias.
A Scania é líder no segmento de caminhões extra-pesados. Neste ano a produção foi ampliada em 10%, contra uma fabricação de 20 mil unidades em 2006. As vendas cresceram 30% com relação ao ano passado. Segundo a indústria as entregas de caminhões já estão sendo regularizadas e, para o próximo ano, os clientes já estão programando as compras. A Ford produziu cerca de 700 mil caminhões neste ano e o número de emplacamentos de caminhões da marca cresceram 37,9% com relação ao mesmo período do ano passado.
Já a Agrale, montadora de capital exclusivamente nacional, espera registrar um aumento de 11% nas vendas neste ano com relação a 2006. Para o próximo ano a projeção é de um crescimento de 5% a 6%. A indústria tem cerca de 36% do mercado agrícola e 17% da área veicular, entre caminhões, chassis e utilitários.

- A jornalista viajou a convite da organização da Fenatran 2007, que acontece em São Paulo

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