Mercado de câmbio vive dia nervoso
Num dia de extrema tensão e muitos boatos, o preço do dólar comercial superou ontem a casa dos R$ 2 e fechou sendo negociado a R$ 2,07, o que representa uma alta de 6,15% em relação à cotação do fechamento da véspera, acumulando uma valorização de 15,64% na semana.
Até as 18h30, o fluxo cambial estava positivo em US$ 224 milhões. O mercado de dólar comercial era responsável por um saldo saldo líquido positivo de US$ 254 milhões, enquanto no flutuante as saídas superavam as entradas em US$ 30 milhões. Segundo analistas, o resultado das exportações era responsável pelo saldo positivo, que, entretanto, poderia ser revertido até as 21 horas, quando encerram-se os registros do movimento cambial do País.
O vencimento dos contratos de dólar negociados na Bolsa de Mercadorias & Futuros na segunda-feira transformou o mercado de câmbio num terreno fértil para que os boatos brotassem, à medida que as cotações do dólar subiam, e se alastrassem por todo do sistema financeiro. Mas a pressão sobre a cotação do dólar dos últimos dias, resultado das arbitragens entre os preços à vista e os futuros, já sinalizava a agitação que tomaria conta do primeiro vencimento de um contrato futuro depois da mudança na política cambial.
A liquidação financeira dessas operações ocorre na segunda-feira, mas a opção por renová-las deveria ser feita até ontem. E a base dos negócios é o preço médio do dólar à vista, de ontem. Os investidores que compraram o dólar antecipadamente tinham interesse em manter as cotações elevadas. Os investidores na posição contrária, que venderam dólares antecipadamente - no jargão, do mercado estavam vendidos - tinham interesse em derrubar as cotações.
Como o Banco do Brasil é um dos maiores investidores da posição vendida, especulou-se nos últimos tempos que ele atuaria no mercado à vista vendendo dólares para derrubar os preços e, dessa forma, reduzir os prejuízos. Só que o BB ficou de fora. Além disso, o dia foi recheado de boatos de moratória interna e confisco de reais que acabaram pressionado o dólar para cima.
A própria chefe do Departamento de Operações das Reservas Internacionais do Banco Central, Maria Socorro de Carvalho, esclareceu que os boatos tinham por objetivo influenciar na formação do preço médio do dólar de ontem. Ela chegou a advertir que quem comprasse dólar ontem correria o risco de perder dinheiro, e assegurou que na segunda-feira a cotação deverá cair.





